Consumidor tem prazo para opinar sobre rótulos de alimentos

Triângulo ou semáforo? A decisão divide opiniões em consulta pública da Anvisa sobre rotulagem. Entenda a polêmica em torno dessa questão

Redação
Foto: Pixabay

Triângulo ou semáforo? A decisão divide opiniões. Consumidores em geral e especialistas podem opinar sobre o formato dos sinais de advertência para as quantidades de produtos com alto teor de sal, gordura saturada e açúcar que passarão a ser obrigatórios nas embalagens, por meio da consulta pública sobre rotulagem nutricional da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que vai até 9 de dezembro.

A Anvisa sugere o formato lupa, entretanto,  o modelo mais adequado para o Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor), o que apresenta os nutrientes em formato de triângulos, que simboliza a noção de alerta de forma mais fácil para os consumidores. Entenda a polêmica.

A consulta pública recebe contribuições, como dados e informações, e também a opinião dos consumidores, para ajudar na decisão final da agência sobre qual o modelo de rotulagem nutricional será adotado. Toda a população pode participar. Para isso, basta preencher o questionário disponível aqui.

O rótulo da embalagem de um alimento pode estimular ou inibir a compra. Sempre que houver uma oportunidade de opinar, mesmo que seja uma opinião simplificada, é importante, pois a união faz a força”, declara Maria Edna de Melo, endocrinologista da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia Regional São Paulo (SBEM-SP).

Segundo a especialista, a eficiência da identificação com o uso dos triângulos foi mostrada em trabalhos científicos, que testou entre 1.607 adultos brasileiros se os rótulos de advertência em triângulos (warning labels – WLs) melhoraram a compreensão, as percepções e intenções de compra comparadas aos rótulos de semáforos (traffic-light labels – TLLs).

Os participantes do experimento controlado randomizado on-line viram imagens de 10 produtos e responderam perguntas duas vezes — em uma condição de controle sem rótulo e, em seguida, de forma aleatória em uma condição de rótulo atribuído. As diferenças relativas nas respostas entre WLs e TLLs entre controle e as condições do rótulo foram estimadas usando análise de variância (ANOVA) de uma via ou testes de qui-quadrado.

Como resultado, os rótulos de advertência em triângulos em produtos comparados a rótulos de semáforos ajudaram os participantes a melhorar sua compreensão do excesso de nutrientes (27,0% versus 8,2%, p < 0,001); melhorar sua capacidade de identificar os produtos mais saudáveis (24,6% versus 3,3%, p < 0,001); diminuir as percepções de produto saudável; identificar corretamente produtos mais saudáveis (14,0% versus 6,9%, p < 0,001), em relação à condição de controle.

Com os rótulos de advertência em triângulos, houve também um aumento no percentual de pessoas: (v) expressando a intenção de comprar a opção relativamente mais saudável (16,1% versus 9,8%, p < 0,001); (vi) optando por não comprar qualquer produto (13,0% versus 2,9%, p < 0,001), em relação à condição de controle.

Esses participantes demonstraram opiniões significativamente mais favoráveis dos rótulos em comparação com as do grupo do rótulo de semáforos. A partir dessa análise, conclui-se que a rotulagem de advertência em formato triangular é mais eficaz na melhoria da escolha alimentar, em comparação com o formato em semáforos”, explica a Dra. Maria Edna.

Com Assessorias