Dia dos Avós: diálogo faz bem à saúde de avós e netos

No Dia dos Avós, especialistas reforçam comunicação para o desenvolvimento intelectual das crianças e na prevenção da depressão em idosos

Interação entre avós e netos faz bem para a saúde dos idosos (Foto Shutterstock)

Referência familiar, fonte de histórias, experiência e sabedoria. O papel dos avós – em sua maioria, idosos – é fundamental na vida de muitas crianças. Celebrado em 26 de julho, o Dia dos Avós tem como intuito homenagear essas figuras que não medem esforços para cuidar e proteger os seus netos.

Mais de 20% dos domicílios brasileiros têm idosos como chefes de família, o que expressa um número superior a 9 milhões de lares. Desse total, 36% são compostos por casal com filhos ou outros parentes. Esses números apontam para a realidade de que no Brasil muitos netos estão residindo com os avós e sob sua responsabilidade.

A pandemia, no entanto, voltou a atenção aos idosos do mundo todo. A Covid-19 impôs medidas de distanciamento que mudaram a forma como mantemos contato com a família. Os avós precisaram se adaptar a uma rotina ainda mais restrita e com pouco contato físico com outras pessoas, ou seja, até mesmo dos netos.

Além do sentimento de saudade, tristeza e solidão, ficar longe da família pode afetar a saúde física e mental dos idosos. Segundo um estudo feito pela Berlin Aging Studyavós que cuidam de netos têm 37% menos risco de morte do que adultos da mesma faixa etária.

Especialistas abordam a importância da relação entre eles e os netos para o desenvolvimento intelectual das crianças e à manutenção das habilidades cognitivas dos idosos. Segundo a otorrinolaringologista Renata Vigolvino, do Hospital Paulista de Otorrinolaringologia, a relação de amor e cumplicidade entre eles é capaz de interferir positivamente na vida adulta dos pequenos, fortalecendo valores morais e culturais; e dos idosos, diminuindo a sensação de falta de propósito ajudando a combater a depressão.

“As crianças que convivem com os avós recebem estímulos que ampliam seu repertório, ensinando-os a conviver em ambientes diferentes, com pessoas distintas. Para os avós, essa relação com os netos também é extremamente salutar, já que eles se sentem valorizados socialmente e integrados socialmente, diminuindo transtornos de humor, como a depressão”, explica.

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Como enfrentar as dificuldades auditivas e de fala

A especialista ressalta, no entanto, que é necessário estar atento às necessidades de ambos para que possam tirar melhor proveito desta relação. Além do possível choque de gerações, questões como saúde auditiva e dificuldades de fala podem interferir significativamente na comunicação entre avós e netos.

“Para os avós, avaliar a saúde auditiva é primordial. Com o envelhecimento, a acuidade auditiva pode diminuir e interferir no entendimento do que é falado pelos netos. Em situações mais severas, esses idosos podem não conseguir participar da dinâmica familiar, acabando por sentirem-se isolados socialmente”, alerta a Dra. Renata.

Nos pequenos, problemas de fala ou linguagem são comuns e também podem impactar a relação. “Crianças que sofrem com atrasos e fala ininteligível, por exemplo, podem ter dificuldades em se expressar aos avós, prejudicando a comunicação e diminuindo todos os benefícios advindos da relação.”

Como melhorar a comunicação entre avós e netos

A mesma opinião é compartilhada pela fonoaudióloga Christiane Nicodemo, do Hospital Paulista. Para ela, questões visuais, auditivas e cognitivas podem afetar a comunicação do idoso. “A boa comunicação entre crianças e pessoas mais velhas depende da manutenção das habilidades cognitivas, como memória e linguagem, no processo de envelhecimento, o que inclui a boa saúde e a qualidade de vida, entre outras questões sociais.”

De acordo com a especialista, a neuroplasticidade – capacidade que nosso cérebro tem de reorganizar seus neurônios e adaptar-se às mudanças – é possível ao longo da vida, inclusive na velhice, por meio de disciplina em atividades repetidas e realizadas diariamente. Práticas como cozinhar, ler, caminhar ao ar livre e até praticar jogos eletrônicos com seus netos podem auxiliar na manutenção das habilidades cognitivas.

Segundo a fonoaudióloga, existem muitos programas capazes de identificar um problema auditivo em pessoas mais velhas, mas a forma mais eficiente é fazendo um check-up para averiguar a acuidade auditiva (audiometria) e visual e um teste para verificar a cognição.

“A importância de termos boa acuidade auditiva está ligada intimamente às questões de atenção, memória e cognição e equilíbrio. As próteses auditivas também são ferramentas de grande valia e auxiliam no processo. Quanto antes você tiver um diagnóstico de seu estado físico, melhor será sua longevidade.”

A Dra. Renata também orienta a visita ao especialista para identificar questões que possam interferir na comunicação entre avós e netos. “Os idosos devem passar em otorrinolaringologista para avaliação auditiva e, caso seja identificada perda de audição, devem ser encaminhados para reabilitação com aparelhos auditivos e acompanhamento fonoaudiológico. Já as crianças com atrasos de fala devem ser avaliadas especificamente, para iniciar terapia o mais precoce possível”, destaca a médica.

Dia dos Avós: origem religiosa

Padre Reginaldo Manzotti, embaixador nacional da Pastoral da Pessoa Idosa (Foto: Divulgação)
O Dia dos Avós é comemorado em 26 de julho no Brasil, Portugal e Espanha. Na sociedade ocidental, a data tem objetivo de homenagear os pais dos nossos pais, sinônimo de ternura, carinho e cuidados. No entanto, também é uma ocasião para reforçar o dever de toda sociedade nos cuidados com esse público.
A data tem uma referência cristã católica já que festeja o Dia de Santa Ana e São Joaquim, pais de Maria, mãe de Jesus. Em 1584, por decreto do papa Gregório VIII, o casal foi considerado santo pela vida casta e por serem avós de Cristo.

Segundo preceitos bíblicos, o casal Ana e Joaquim não podia ter filhos, o que era considerado uma maldição e dava o direito ao marido de ter filhos com outras mulheres. Ao se retirar ao deserto para orar e fazer penitências, Joaquim recebeu a visita de um anjo que lhe disse para voltar para casa, pois suas preces seriam atendidas.

Apesar da esterilidade e idade, pouco tempo depois, Ana deu a luz à Maria. A menina acabou sendo entregue aos cuidados do Templo de Jerusalém. Anos depois, saiu de lá para ficar noiva de José. Do casamento de Maria e José, nasceu Jesus, neto de Ana e Joaquim. No século XX, o Papa VI escolheu o dia 26 de julho para homenagear Sant´Ana e São Joaquim, os pais de Maria.

O dom da velhice

De acordo com o Padre Reginaldo Manzotti, embaixador nacional da Pastoral da Pessoa Idosa, a Igreja sempre reconheceu e exaltou a importância da família para a construção de uma sociedade equilibrada, justa e fraterna. Neste ano, o Papa Francisco instituiu o primeiro Dia Mundial dos Avós e dos Idosos no quarto domingo de julho, em memória aos avós de Jesus Cristo, para “recordar e celebrar  o dom da velhice e daqueles que, antes de nós e para nós, guardam e transmitem a vida e a fé”.

“Como é edificante uma família que valoriza os avós, nesse caso, todos ganham! As crianças são beneficiadas porque convivem com gerações diferentes, aprendem a valorizar os idosos e mantêm o sentimento de pertencimento familiar. Alguns estudos indicam até que a convivência com os avós, fornece valores sólidos e apoio emocional aos netos”, diz ele.

Durante a solene celebração que o Papa Francisco presidiu neste domingo na Basílica de São Pedro, foi concedida a Indulgência Plenária a avós, idosos e demais fiéis que participaram das atividades pela data. Também foram contemplados aqueles que visitam, presencial ou virtualmente, idosos necessitados ou em dificuldade, como os doentes, os abandonados, os deficientes e afins.

Com Assessorias

 

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