Janeiro Branco: é tempo de cuidar da nossa saúde mental

Campanha que vem crescendo desde 2014 alerta para problemas como depressão, ansiedade e pânico. Planejar as metas para o novo ano é uma boa medida para manter a sanidade mental em tempos de crise e incertezas

Redação

Em meio às incertezas do cenário político nacional – e particularmente no Estado do Rio que tenta sair de uma profunda crise – o ano de 2019 começou com um alerta importante, porém, ainda pouco explorado: o cuidado com a nossa mente.

Este é o tema principal da campanha Janeiro Branco, que tem como objetivo conscientizar a população sobre a importância da saúde mental e ainda desconstruir os tabus sobre doenças, como depressão, ansiedade, síndrome do pânico e outras.

Para a psicóloga Olivia Klem Dias, a campanha, que vem ganhando força entre os profissionais de Psicologia, representa um convite a refletir sobre a vida logo nos primeiros 31 dias do ano. Mesmo em um mês de competição com os cuidados com o corpo, por conta do verão, a ideia é também dar importância à mente. “A saúde mental não pode ser deixada de lado, a fase é propícia à reflexão, devido à virada de ano”, comenta.

Inspirado na sensação de olhar para o teto branco enquanto pensamos em desejos e projetos, o Janeiro Branco já ganhou twibbon nas redes sociais neste ano e tende a se popularizar muito em breve como outras mais famosas como o Outubro Rosa.

Planejamento de metas é antídoto para ansiosos

A campanha começou por iniciativa de um psicólogo mineiro em 2014 e destaca o tema em um período considerado de grande ansiedade, já que culturalmente acreditamos que muitas coisas acontecem mais para depois do Carnaval, como as oportunidades de trabalho.

Porém, Olivia afirma que, muitas das vezes, esses empecilhos para começar o ano estão na cabeça das pessoas e para evitar armadilhas, é necessário iniciar o planejamento de metas, com os primeiros passos já em janeiro.

A estratégia é já ter uma série de experiências importantes para nossa bagagem, para quando chegarmos no suposto início do ano em março, já sabermos melhor qual caminho seguir. Se há cansaço ou desânimo diante das metas, é preciso revê-las”, explica.

E se essa reflexão tiver efeitos psicológicos negativos, a pessoa deve procurar ajuda profissional porque pode ser que algo tenha saído do controle. Quando for encarado como passageiro pela própria pessoa, que não minimiza as conquistas, por exemplo.

Janeiro é o mês em que nos enchemos de planos e, assim, precisamos resolver pendências emocionais internas, reparar o nosso relacionamento com a gente mesmo, assumir o compromisso primeiro de nos amarmos. Para solucionar esse “branco”, temos que olhar bem para dentro de nós mesmos e trabalharmos o que está lá”, finaliza Olívia.

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Alerta para a depressão: 5,8% da população

Para Sion Divan, responsável pela enfermaria de saúde mental do Hospital Municipal Evandro Freire, localizado na Ilha do Governador, Rio de Janeiro, a saúde mental ainda é tratada como estigma pela sociedade devido à falta de informação. “O Janeiro Branco surgiu exatamente para suprir essa necessidade. Ele convida a todos para uma reflexão sobre problemas como a depressão”, explica o especialista.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), atualmente o Brasil é considerado o primeiro país da América Latina em número de casos de depressão – com 5,8% da população. Esse número tem aumentado exponencialmente, mas por que será que isso acontece?

Segundo Sion, jornadas exaustivas de trabalho, estresse, medo da violência, entre outras situações, podem desencadear o problema. “O importante é procurar ajuda, caso haja a identificação de algum sintoma como cansaço extremo, fraqueza, irritabilidade, angústia e falta de interesse em atividades que antes davam prazer”, explica.

Apesar de ser um dos principais problemas de saúde mental no país, a depressão não é o único foco da campanha. Um dos mais comuns é o transtorno da ansiedade generalizada, que engloba a síndrome do pânico, distúrbio caracterizado por sentimentos de preocupação e medo fortes o bastante para interferir nas atividades diárias.

Outros transtornos mentais que impactam tanto a saúde quanto a vida social do paciente são a esquizofrenia, que afeta a capacidade da pessoa de pensar, sentir e se comportar com clareza; e o transtorno bipolar, associado a alterações de humor que vão da depressão a episódios de obsessão.

Falta de informação acentua o problema

Muitas vezes, as doenças mentais são alvo de preconceito devido à falta de informação. Alguns dos sintomas da depressão e da ansiedade, por exemplo, podem ser confundidos com preguiça, infantilidade, e até mesmo fraqueza, o que pode prejudicar o diagnóstico e o tratamento desses e de outros transtornos.

Segundo Dr. Sion Divan, para que o paciente diagnosticado receba um atendimento adequado e contínuo, é importante encarar a questão com seriedade e entender que nem todos lidam com os problemas da mesma forma.  Por isso, é preciso um cuidado multidisciplinar tanto para essas pessoas quanto para os seus familiares.

Todo esse trabalho é essencial para que se possa evitar o pior. Quando não é devidamente tratada, uma doença mental pode levar o indivíduo ao suicídio”, aponta o especialista.

Da Redação, com Assessorias

 

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