Meu filho é hiperativo: como saber se ele tem TDAH?

Neuropediatra explica como definir o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade e como diagnosticar os principais sintomas e sinais em crianças e adolescentes

Nesta quarta-feira (13/7) é lembrado o Dia Mundial do TDAH – Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade, o transtorno comportamental mais comum na infância, que atinge até 5% das crianças. Geralmente, 95% delas precisam apresentar este quadro até os 12 anos de idade e normalmente essa característica é observada quando iniciam os anos escolares.

“A criança mais agitada, muitas vezes se confunde com a criança que tem TDAH e é muito importante, tanto para pais como para profissionais que trabalham com essas crianças saberem qual a forma correta de se fazer o diagnóstico”, diz Marcone Oliveira, médico neuropediatra e orientador de pais, com mais de 1 milhão de seguidores em suas redes sociais.

Mas nem toda a criança que tem um comportamento agitado, tem déficit de atenção ou é hiperativo. “É importante lembrar que a criança com TDAH pode, muitas vezes, não ser agitada, mas sim ter uma desatenção tão grande que a prejudica no dia a dia”, ressalta o especialista, com especialização em Neurologia Infantil pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) e membro do Departamento Científico de Neuropediatria da Sociedade Brasileira de Pediatria.

O transtorno é reconhecido oficialmente por vários países e pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e ocorre entre 3% e 5% das crianças no mundo, segundo o site da ABDA. Embora seja um dos problemas psiquiátricos mais diagnosticados em crianças e adolescentes, não há um consenso entre especialistas quando o assunto é TDAH. E por isso, o ideal é que a criança seja diagnosticada o mais precocemente possível, embora diagnósticos ainda ocorram na fase adolescente e e na fase adulta.

TDAH é uma doença ou um transtorno?

Dr. Marcone também enfatiza que, se uma criança tem TDAH, os sintomas aparecem até os 12 anos de idade, e podem ser observados de diversas maneiras, principalmente em sala de aula. Os professores, em geral, são os primeiros a observar a diferença no comportamento da criança e pedirem o encaminhamento para avaliação médica.

“Os professores e profissionais que convivem com os jovens nas escolas percebem que há algo nessas crianças, no jeito de aprender, de se comportar, que difere das outras. Porém, por falta de instrução, muitos não associam os sintomas com o TDAH, e o diagnóstico acaba demorando a ocorrer”, comenta.

Que exame se faz para saber o diagnóstico?

Graduado também em Farmácia pela Universidade Vale do Rio Doce e mestre em Ciências Fonoaudiológicas pela UFMG, Dr Marcone diz que é importante lembrar que o diagnóstico é essencialmente clínico. Portanto, não existem exames laboratoriais ou de imagem que possam ser feitos para definir o quadro, ou seja, não existe um marcador biológico detectável.

“O diagnóstico dessas crianças deve ser feito através de uma avaliação interdisciplinar que envolvem profissionais da psicologia, da fonoaudiologia, psicopedagogia e professores, sempre que possível. Além deste diagnóstico, é de bom tom usarmos escalas para definição de sintomas. E não podemos esquecer que a família exerce um papel importante e fundamental na construção deste diagnóstico”, comenta o especialista.

Segundo ele, há especialistas que alegam imprecisão nos diagnósticos de TDAH pela subjetividade dos critérios de avaliação, uma vez que tudo é baseado em sinais e sintomas de comportamentos em certos contextos.

“Na realidade a gente tende a encarar como doença aquelas questões relacionadas à ausência de saúde. Então seria mais voltado para problemas com causas identificáveis, por exemplo, se eu tenho uma pneumonia, ela é causada por uma bactéria e, por isso, seria uma doença”, destaca o especialista,

Já um transtorno que não há causa identificável, ou seja, quando um problema não tem causa identificável, tende a ser classificado como transtorno e isso acontece com o TDAH. “E o transtorno também tende a nascer com a pessoa e seguir pela vida toda”, esclarece o médico, que atualmente é diretor Clínico da Clínica Proevoluir e é pai do Augusto e da Olga.

Como diagnosticar o TDAH?

Marcone Oliveira é Médico Pediatra, com especialização em Neurologia Infantil (Foto: Divulgação)

O diagnóstico do TDAH não é tão fácil como muitos acreditam. Não existe esse teste na internet de sim ou não que vai diagnosticar o TDAH. Há a necessidade de complementação com outros critérios, tais como idade de início; tempo de quando a pessoa tem apresentado os sinais e sintomas; qualificar os sintomas ou quanto de prejuízo o transtorno está causando; diagnóstico diferencial, para descartar outros transtornos que podem estar envolvidos e serem confundidos com TDAH.

Para saber se a criança tem TDAH e qual o TDAH é predominante nessa criança, é necessário usar os chamados critérios diagnósticos que se encontram no Manual de Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais 5ª edição (DSM5). Estes critérios (sinais e sintomas) são divididos em dois grupos para identificar a criança com TDAH. Veja os critérios abaixo:

– Déficit de atenção

  • Desatenção a detalhes e erros;
  • Dificuldade em sustentar atenção; parece não ouvir;
  • Dificuldade com instruções, regras e prazos;
  • Desorganização;
  • Evita/reluta tarefas de esforço mental;
  • Perde, esquece objetos;
  • Alta distração;
  • Não automatiza tarefas do cotidiano.

– Hiperatividade e impulsividade

  • Movimento excessivo do corpo durante postura;
  • Dificuldade em permanecer sentado;
  • Sobe, escala, exposição em perigos;
  • Acelerado para as atividades;
  • Faz tudo “a mil”;
  • Fala demais e se intromete;
  • Responde antes de concluir perguntas;
  • Dificuldade em esperar;
  • Interrompe inoportunamente

 

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