Morte de Wagner Montes acende alerta para infecção urinária

São 2 milhões de casos todo ano no Brasil e a maioria das vítimas é mulher. No verão, a incidência aumenta por causa da exposição à umidade

Redação
wagner montes Internado há dois meses, o deputado Wagner Montes morreu de infecção urinária (Foto: Reprodução de internet)
A morte do deputado estadual Wagner Montes (PRB), de 64 anos, em decorrência de uma infecção generalizada e falência de múltiplos órgãos neste sábado (26), no Rio de Janeiro, acende o alerta. O político, que ficou famoso nos anos 80 e 90 como apresentador de programas de TV, estava internado e lutava contra uma infecção urinária. Um problema que faz em média mais de 2 milhões de vítimas anualmente no Brasil, segundo dados do Hospital Israelita Albert Einstein.
A Sociedade Brasileira de Urologia alerta que os casos  costumam aumentar nesta época do ano e a doença ataca mais as mulheres. Geralmente a infecção urinária ocorre na bexiga ou na uretra, mas as infecções mais graves envolvem o rim. A infecção na bexiga pode causar dor pélvica, aumento da vontade de urinar, dor ao urinar e sangramento na urina. A infecção nos rins pode causar dor nas costas, náuseas, vômitos e febre.
O verão é especialmente favorável para adquirir a infecção urinária por vários motivos. Um deles é a exposição constante à umidade. O ato de ficar com roupas de banho molhadas durante todo o dia aumenta as chances de bactérias infiltrarem-se no trato urinário, podendo levar à doença”, alerta o vice-presidente da Sociedade Brasileira de Urologia do Rio, Lessandro Curcio Gonçalves.
Segundo ele,  é comum o hábito de passar várias horas na praia com sungas e biquínis úmidos, o que pode ser uma porta de entrada para os patógenos – veja mais aqui.

 

Pessoas mais afetadas

  • Mulheres jovens: são as que mais apresentam infecção urinária, especialmente ao iniciarem sua vida sexual, uma vez que pequenos traumas e modificações da flora bacteriana na região íntima são fatores que favorecem a contaminação do aparelho urinário.
  • Mulheres na menopausa: as mudanças hormonais predispõem às infeções. Na menopausa, o revestimento interno urinário se torna mais frágil, com pouca defesa às agressões bacterianas que penetram o canal da uretra.
  • Mulheres grávidas: durante a gravidez, há variações hormonais fisiológicas e o crescimento uterino ao longo dos meses compromete o esvaziamento da bexiga, causando certo grau de “retenção urinária” que propicia o aparecimento de ITU.
  • Idosos: homens e mulheres costumam apresentar infecção urinária com pouco ou nenhum sintoma, causada pela incontinência (perda urinária involuntária), variações frequentes do ritmo intestinal (constipação/diarreias), doenças crônicas, como diabetes; e inflamações e crescimento da próstata nos homens.

Principais sintomas

Dores locais: bexiga, parte inferior do abdômen, pélvis ou região genital
Dores circunstanciais: durante a micção ou durante a relação sexual
No trato urinário: desejo persistente de urinar, micção frequente, necessidade frequente de urinar, desconforto na bexiga, distensão da bexiga, incontinência urinária, micção excessiva, urina com odor desagradável, urina escura ou sangue na urina
Também é comum: infecção recorrente, irritação vaginal ou sensibilidade.

Deputado enfrentava problemas de saúde desde 2017

Recém-eleito deputado federal, o parlamentar enfrentava desde 2017 uma série de problemas de saúde e há semanas estava internado em um hospital no Rio de Janeiro. Em nota distribuída à imprensa, a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) lamentou a morte e informou que o corpo será velado no saguão do Palácio Tiradentes, sede da Alerj, no Centro do Rio.

O velório será aberto ao público e ocorrerá no sábado, das 18h às 22h, e no domingo, entre 8h e 13h.  Em seguida, o corpo será transportado para o crematório do Cemitério São Francisco Xavier, no Caju, onde haverá uma cerimônia de corpo presente. A pedido da família, essa cerimônia será fechada à família e amigos próximos e está programada para ocorrer entre 12h30 e 14h.

Wagner Montes deixa a mulher, Sônia Lima, e dois filhos – um, fruto do relacionamento com Sônia; outro, de um relacionamento com a Miss Brasil de 1983, Cátia Pedrosa.

Da Baixada para o rádio, a TV e a política

Criado no município de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, Wagner Montes conciliou a política com sua carreira como apresentador de rádio e TV. Foram mais de 44 anos no comando de atrações que chegaram a ser exibidas em cerca de 150 países. Sua estreia como jornalista ocorreu em 1974, na Rádio Tupi.

Na televisão, esteve à frente de diversos programas como “Aqui e Agora”, da Tupi, e “O Povo na TV”, da emissora SBT, onde também atuou como jurado do “Show de Calouros”. Em 2003, mudou para a TV Record onde comandou o “Verdade do Povo”, “RJ no Ar”, “Balanço Geral” e “Cidade Alerta – Rio de Janeiro”.

Advogado formado pela Universidade Gama Filho, ele teve sua atuação, tanto na TV como na política, sempre marcada pela luta pelo fim das desigualdades sociais e pelo sentimento de solidariedade. Características que o fizeram ostentar elevados índices de popularidade. Ainda jovem, sua condição de aliado dos menos favorecidos, levou o lendário Tenório Cavalcante, em Caxias, a apelidá-lo de “Chicote do povo”.

O deputado Wagner Montes

Wagner Montes elegeu-se para a Assembleia Legislativa em 2006 com 111.802 votos. Quatro anos mais tarde, recebeu 528.628 votos, destacando-se como o deputado estadual mais votado da história política do Estado do Rio de Janeiro. Uma resposta das urnas à sua atuação parlamentar, principalmente nas áreas de segurança pública, saúde e educação. Na eleição de 2014, foi reeleito, mais uma vez, com 208.814 votos, segundo deputado estadual mais votado do Rio de Janeiro.

Na última legislatura, ocupou o cargo de 1º vice-presidente da Mesa Diretora da Alerj, e chegou a presidir a Alerj em diversos momentos. Em 2018, foi eleito deputado federal pelo Rio de Janeiro com 65.868 votos para um mandato que iria até 2022.

Da Redação, com Assessorias

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