Mr. Catra morre de câncer de estômago: entenda a doença

Tumor gástrico é o terceiro de maior incidência entre os homens acima dos 50 anos e o quinto mais comum no Brasil. Detecção precoce é fundamental para tratamento

Redação
catra-morre-com-câncer-de-estomago Mr Catra descobriu a doença no primeiro semestre de 2017 e fez tratamento em São Paulo e nos Estados Unidos (Foto: Divulgação)

Pai de 32 filhos e avô de quatro netos, Mr. Catra, de 49 anos, morreu neste domingo (9), em São Paulo, de complicações causadas pelo câncer de estômago, doença que vinha tratando desde o diagóstico, no início de 2017. Atendendo a um desejo do cantor, a família doou as córneas e só não pôde realizar doações de outros órgãos por causa da doença.

O funkeiro já havia perdido mais de 35 quilos desde que iniciou o tratamento, que incluiu quimioterapia, cirurgias de uma angioplastia, em hospitais de São Paulo e dos Estados Unidos. Quando descobriu a doença, o cantor parou de beber e reduziu a quantidade de cigarros que fumava.

A colheita é conforme a plantação, não tem jeito. Não foi Deus que deu essa enfermidade, a culpa é minha. Foi álcool, noites de sonos perdidas é o pior veneno de todos. Eu descansava, não dormia. Do mesmo jeito que contraí esse câncer, Deus vai vir com a cura”, disse, respondendo sobre os prováveis motivos para o surgimento da doença, em entrevista ao programa SuperPop, na RedeTV.

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A modelo Nara Almeida lutava desde agosto de 2017 contra um câncer de estômago (Fotos: Reprodução de internet)

Recentemente, o câncer de estômago também ganhou destaque na mídia por conta do diagnóstico da youtuber Nara Almeida, que possuía mais de 3 milhões de seguidores em seu canal. Segundo o Inca (Instituto Nacional de Câncer), o câncer de estômago é o terceiro de maior incidência entre os homens acima dos 50 anos e o quinto mais comum no Brasil.

Também conhecido como câncer gástrico, este tipo de tumor se apresenta em 95% dos casos como adenocarcinoma, tumor originado em células que revestem a parte interna do órgão. A doença pode disseminar-se, invadindo outros órgãos, vasos linfáticos e linfonodos próximos. Existem outros tipos mais raros de câncer de estômago como o linfoma, o leiomiossarcoma e o tumor carcinoide.

“O desenvolvimento da doença costuma acontecer de maneira muito lenta. Ao longo dos anos, as alterações pré-cancerosas podem ir surgindo, devagar, nas células da mucosa do estômago. Como isto raramente causa sintoma, essas alterações podem passar despercebidas ou podem ser confundidas com outras doenças”, comenta o oncologista Felipe Ades, do Centro Paulista de Oncologia (CPO) – unidade do grupo Oncoclinicas em São Paulo.

Detecção precoce é essencial

Por apresentar muitos sintomas inespecíficos, comuns a outras doenças, por vezes o paciente demora a buscar apoio especializado. Entre os sinais do câncer de estômago estão perda de peso, cansaço, falta de apetite, náuseas e vômitos, sensação de má digestão, azia e desconforto abdominal persistente, sangramentos gástricos (mais incomuns), sangue nas fezes, fezes escuras, pastosas e com odor muito forte (indicativo da presença de sangue oculto)

Diante da suspeita de câncer de estômago, dois exames estão entre os mais frequentes para o diagnóstico da doença: modernamente se usa a endoscopia digestiva alta, porém ainda pode ser usada a radiografia do estômago com contraste.

A endoscopia permite a avaliação visual direta da lesão e a realização de biópsias para confirmação do diagnóstico por meio do exame anatomopatológico. Através da boca um tubo fino e flexível com uma câmera na ponta é conduzido até o órgão. O paciente é sedado para sentir menor desconforto, o exame é feito com o paciente dormindo algumas vezes. Já na radiografia, o médico analisa o filme radiográfico em busca por áreas anormais ou tumores.

Após a confirmação patológica da presença do tumor através do exame de biópsia, é importante que se façam os exames para estadiamento, ou seja, quantificar o tamanho da doença no corpo. “Estes exames podem variar, mas comumente incluem a tomografia computadorizada de abdômen e pelve, a radiografia simples (ou tomografia) de tórax e exames de sangue”, comenta o Dr. Felipe.

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