Bombinha da asma realmente vicia?

Pneumologista tira principais dúvidas e otorrinolaringologists decifra os mitos e verdades em torno da doença que ainda não tem cura, mas tem tratamento que vai muito além da bombinha

Redação
asma Além das usuais bombinhas, novos medicamentos ajudam quem sofre de asma. Mas evitar as crises é o melhor a fazer (Reprodução de internet)

asma é uma inflamação crônica das vias aéreas, que provoca estreitamento dos canais de respiração, causando sintomas como tosse e dificuldade de respirar. Estudos relacionam crises de asma a ansiedade e estresse, o que dificulta o controle da doença. Exercícios aeróbicos podem ajudar a prevenir crises.

O pneumologista Daniel Boczar, do Hospital Anchieta, afirma que a asma está ligada a fatores genéticos e ambientais, sendo uma doença passível de tratamento, mas ainda sem cura definida.

A asma refere-se a um termo mais amplo de acometimento de toda a via aérea com sintomas persistentes, enquanto a bronquite é apenas uma inflamação localizada dos brônquios, geralmente causada por vírus e bactérias com duração limitada”, esclarece.

Existem pacientes que iniciam com sintomas de asma apenas na vida adulta, após a prática de atividades físicas – chamada de asma induzida por exercício – ou durante a gestação, conhecida como asma gestacional. “Em qualquer uma destas situações, a consulta e o acompanhamento com o pneumologista são fundamentais”, comenta.

Abaixo, ele tira as dúvidas mais comuns sobre a doença:

asma é uma doença crônica. O que geralmente provoca a crise? Pode ter relação emocional?   

Principalmente a exposição a elementos irritantes como fumaça de cigarro, poluição, poeira, ar frio, além dos quadros infecciosos predominantes no inverno como viroses, sinusites e pneumonias. Existem estudos afirmando que a asma pode ser agravada por questões psicológicas, como a ansiedade e estresse, o que torna o controle da doença uma tarefa mais difícil.

O fator genético pode estar relacionado ao surgimento da asma. É possível afirmar que seja hereditária?

Sim, observamos que quando os pais possuem histórico de doenças alérgicas, como a rinite e a asma, existe uma tendência hereditária. Mas, apesar de ser comum o ocorrência de asma entre pais e filhos, não há como definir a probabilidade da doença continuar na família.

É possível ficar anos sem ter uma crise e ela voltar de repente? 

Como característica de uma doença crônica a asma pode persistir por um longo período. Os sintomas se iniciam logo na infância, embora a ocorrência tardia tenha sido frequente. Uma pessoa asmática pode sim permanecer por longos períodos assintomática, principalmente quando as medidas de controle do ambiente em que se vive são adotadas. Entretanto, a exposição a irritantes ou infecções podem desencadear crise ou retorno persistente dos sintomas.

Quanto às atividades físicas, existe alguma restrição para os asmáticos?           

A atividade física serve para melhorar o condicionamento cardiorrespiratório do asmático, levando a um aumento da tolerância ao esforço, fortalecimento da musculatura acessória do tórax e consequentemente a ventilação. Deste modo não há restrições às atividades habituais em pessoas com asma controlada. Pacientes com asma não controlada não vão obter benefícios e por vezes não conseguirão executar exercícios físicos.  

Quais os tratamentos? Dá pra viver sem utilizar a tradicional bombinha?          

O tratamento da asma envolve o controle do ambiente em que o indivíduo vive, além do uso de medicamentos. Existe uma nítida piora com a exposição a uma série de fatores como o tabaco, poeiras domiciliares (ácaros e fungos), infecções, ar frio, exposição ocupacional e alguns medicamentos. O controle destes fatores associado a medidas educacionais são medidas importantes no tratamento.

O tratamento medicamentoso é baseado nos dispositivos inalados, as bombinhas. Existem os medicamentos que controlam a doença e medicamentos que aliviam os sintomas da doença utilizados nas crises. É importante que o médico e o paciente saibam reconhecer que os medicamentos e utilizá-los da forma correta.

MITOS E VERDADES

A doença pode ser de difícil diagnóstico e perdurar a vida toda, mas a boa notícia é que já existem tratamentos inovadores, que vão além da popular bombinha. “Nos últimos anos começaram a surgir os chamados anticorpos monoclonais e imunobiológicos, uma classe de medicamentos que age diretamente na causa da doença”, explica o otorrinolaringologista do Hospital Cema, Pedro Vieira. 

Há muitos conceitos envolvendo a asma e nem todos são verdadeiros. Para desmitificar a doença, Pedro Vieira explica abaixo quais são os mitos e verdades envolvendo a asma.

1 – A asma é mais comum em meninos – VERDADE

Até os 10 anos de idade, crianças do sexo masculino têm mais chances de serem diagnosticadas com asma por terem vias aéreas mais estreitas, embora a doença atinja pessoas de ambos os gêneros. Ressaltando que, apesar de mais comum na infância, a asma também pode aparecer em adultos.

2 – Asma e obesidade podem estar diretamente relacionadas – VERDADE

O excesso de gordura no corpo leva a altos níveis de leptina e citocina inflamatórias, que estão ligadas ao surgimento da asma. Além disso, a obesidade altera propriedades mecânicas do sistema respiratório.

3 – A “bombinha” de asma vicia – MITO

O que acontece, muitas vezes, é que o paciente não trata a asma de maneira contínua – o que não é o correto – e necessita da “bombinha” com maior frequência. Mas isso nada tem a ver com “vício”, é mais uma inadequação na forma de tratamento da doença.

4 – A “bombinha” faz mal para o coração – MITO

Os primeiros remédios broncodilatadores para asma eram substâncias que tinham como efeito colateral a aceleração do coração (taquicardia). Porém, as novas medicações não têm esse efeito colateral.

5 – Asma em adultos pode estar relacionada à insônia – VERDADE

Segundo pesquisa recente da Universidade de Pittsburgh (USA), as crises de asma são mais frequentes em pacientes que têm problemas para dormir. Além disso, pessoas que apresentam as duas doenças costumam ter mais depressão e sintomas de ansiedade.

6 – Vacina é eficaz para asma – PARCIALMENTE VERDADE

A imunoterapia (uso de vacinas) e medicamentos homeopáticos, no geral, podem ser coadjuvantes, mas o tratamento padrão da asma é feito com associação de um medicamentos anti-inflamatório da família dos corticoides e de um broncodilatador (geralmente administrado por via inalatória). “Porém, o tratamento deve ser individualizado, visando atender as necessidades específicas de cada paciente”, diz o médico do Hospital CEMA.

7 – Filhos de pais asmáticos têm mais chances de desenvolver asma – VERDADE

Sim. A probabilidade é três vezes maior nas famílias nas quais um dos pais é asmático e aumenta para seis vezes mais, caso ambos os pais sejam asmáticos. Se a mãe tiver asma, a criança tem 80% de chance de também vir a desenvolver a doença.

8 –Asma é uma doença que pode matar – VERDADE

Na realidade, a mortalidade da asma tem muito mais a ver com a falta de cuidado no tratamento e no controle das crises do que no potencial fatal da doença, que é perfeitamente controlada com medicações adequadas.

9 – Asma não tem cura – VERDADE

Embora o tratamento para a doença tenha evoluído muito nos últimos anos, a asma é uma doença crônica, que não tem cura. Contudo, é possível ter qualidade de vida convivendo com a enfermidade, desde que seja feito um correto controle com medicações e mudanças de hábitos.

10 – A asma pode ser desencadeada por alergias – VERDADE

Existem substâncias potencialmente alergênicas, como mofo, poeira e pelo de animais, que podem desencadear os sintomas da asma, em algumas pessoas. Nesse caso, é essencial tratar a alergia, eliminando ou minimizando a exposição aos agentes alergênicos e administrando as crises.

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Fontes: Hospital Anchieta e Hospital Cema

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