Moradores de comunidades cariocas dão exemplo de solidariedade na pandemia

Conheça iniciativas no bairro de Vila Kennedy e no Morro dos Prazeres para ajudar famílias em vulnerabilidade social e alunos de escolas públicas

Rosayne Macedo
Até agora 600 famílias já foram assistidas com doações de cestas básicas, de ovos e de kits de higiene no centro comunitário (Foto: Divulgação)

Criado há 56 anos para receber moradores removidos de favelas em áreas nobres do Rio de Janeiro e elevado a bairro há apenas três anos, Vila Kennedy é um dos bairros mais carentes da Zona Oeste. Cercado por violência e baixos índices de desenvolvimento humano,  o bairro surgiu a partir de um conjunto habitacional criado com apoio da Aliança para o Progresso, programa criado pelo então presidente americano John Kennedy. Apesar das adversidades, o bairro às margens da Avenida Brasil tem se tornado uma referência em solidariedade nesses difíceis tempos de pandemia.

Tradicional e fundamental espaço de resistência na Vila Kennedy, o Centro Comunitário Irmãos Kennedy, que atua há 51 anos na região, tem realizado um importante trabalho durante a quarentena. A instituição filantrópica promove ações emergenciais para combater problemas sociais crônicos, como a insegurança alimentar. Até agora 600 famílias já foram assistidas por mês com doações de cestas básicas, de ovos e de kits de higiene. Mais de 11.400 quentinhas são distribuídas mensalmente.

Tudo nesse momento é um fator que dificulta. Da falta de trabalho, já que a assistência governamental não alcança toda a população, até as famílias numerosas convivendo em espaços mínimos e condições insalubres. É quase impossível conter a contaminação nesses meios. Faltam instruções, alimentos, condições básicas de sobrevivência. Não conseguimos atender toda a comunidade, mas estamos trabalhando para minimizar o problema”, comentou Jorge Melo, idealizador do projeto, membro há 11 anos do Irmãos Kennedy.

Jorge Melo, idealizador do projeto, põe a mão na massa para entregar os alimentos (Foto: Divulgação)

Além da alimentação, o Centro Comunitário aponta outro problema local: a educação básica. Faltam creches para as mães que precisam trabalhar e não têm com quem deixar os filhos. “A instituição por décadas atuou com creche e apoio escolar para as crianças da região, além de gerar emprego na própria comunidade. Após a reforma, tínhamos previsão de reativar a creche no primeiro semestre de 2020. Com a chegada da pandemia tivemos que prorrogar a reabertura. Atualmente a quantidade de creches públicas na região não atendem a população”, diz Melo.

Como ajudar? O Centro Comunitário recebe doações pelo telefone (21) 99606.3070 (Jorge Melo) ou pelas redes sociais: no Facebook irmaoskennedy.centrocomunitario e no Instagram (@ccikrio).

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Janice criou projeto que ajuda crianças a ter acesso a apostilas no período de aulas online (Foto: Divulgação)

Cada um pode – e deve – fazer a sua parte para mudar para melhor o mundo em que vivemos, em meio a tantas adversidades, agravadas pela pandemia do novo coronavírus. E foi isso que moveu Janice Delfim, de 37 anos, a deixar de olhar o problema da janela de sua casa e botar a mão na massa.

Logo no início da quarentena pude observar da janela da minha casa muitas crianças brincando pelos becos, vielas e quadras. Tudo era muito novo, nós não tínhamos noção ao certo sobre a quarentena. Os dias estavam passando e as crianças continuavam com a sua rotina de ir brincar na rua”, conta Janice. Agente de Cidadania na Firjan/Senai, ela atua na própria comunidade onde nasceu, foi criada e vive até hoje.

Ela então se colocou a pensar o quanto tempo esta quarentena poderia durar, e o quanto as crianças perderiam de conteúdo escolar por falta de aula. Até que a Secretaria de Educação Municipal do Rio de Janeiro disponibilizou o material didático para download. “Pasmem: a maioria dos moradores de favela não dispõe de computadores e muito mesmo de impressora para imprimir este material”, relembra.

Foi aí que Janice sentiu o que define como “a real empatia” com essas crianças e suas famílias. E resolveu lançar a campanha ‘Apadrinhe uma criança do Morro dos Prazeres’, com objetivo de criar uma corrente solidária para pedir ajuda para ajudar os pequenos moradores com apostila e lanche.

Voluntários do projeto Educação na Quarentena dos Prazeres (Foto: Divulgação)

O projeto Educação na Quarentena dos Prazeres é uma iniciativa de um grupo de voluntários da comunidade com o propósito de entregar as apostilas confeccionadas pela prefeitura para alunos da rede pública municipal para crianças sem acesso a internet e/ou impressora moradoras do complexo do Morro dos Prazeres, famílias sem recursos.

Com isso, as crianças não deixam de estudar neste período de quarentena. Além da apostila é entregue um kit com lanche para as essas crianças matriculadas na rede pública cursando as séries da Educação Infantil até o 9º ano. No início de abril a corrente solidária conseguiu apadrinhar mais de 100 crianças das mais diversas idades.

Conseguimos apostilas desde a pré-escola, carioquinha 1 até o nono ano. Hoje estamos acolhendo um pouco mais de 340 crianças. As crianças em situação de vulnerabilidade social merecem e precisam desse acolhimento”, conta Janice, feliz com os resultados.

A felicidade de crianças e adolescentes que recebem as apostilas impressas e ainda lanches (Foto: Divulgação)

Como fazer parte desta corrente: Imprimindo: Você pode ajudar com a impressão do material disponível no site da SME. Doando: Você pode ajudar com doação de biscoitos, caixas de suco, bolinhos, etc. Depositando: Você pode ajudar com depósito no Banco do Brasil, na Agencia: 3118-6 Conta corrente: 35580-1. Doando outros itens: Máscara tamanho infantil, lápis e Borracha. Informações no Facebook Educação na quarentena dos Prazeres e no Instagram @MorroDosPrazeresEduca.

Com Assessorias