Tempo é crucial para salvar a vida e evitar as sequelas do AVC

Internado há três meses, ex-governador de Goiás, Íris Rezende, teve AVC hemorrágico diagnosticado dois dias depois. Médico explica sequelas do AVC

O tempo no socorro imediato de um paciente é decisivo para evitar possíveis sequelas do Acidente Vascular Cerebral, o popular Derrame Cerebral. Em um AVC, cerca de 120 milhões de células cerebrais morrem a cada hora, por isso o tempo e a agilidade são fundamentais.
Comparando com a taxa de perda celular, que ocorre normalmente, é como se, em uma hora, o cérebro envelhecesse algo em torno de quatro anos. Nos casos em que ocorre a hemorragia cerebral, é necessário uma intervenção cirúrgica. Foi o caso do ex-governador de Goiás e ex-prefeito de Goiânia, Íris Rezende, de 87 anos, quando sofreu um AVC hemorrágico em agosto e ficou internado, em estado grave, desde então, tendo falecido na madrugada de terça-feira (9/11).
Quando teve o AVC, Íris chegou lúcido ao Hospital Neurológico, no centro de Goiânia, após sentir uma forte dor de cabeça, e foi submetido a uma cirurgia de emergência. Segundo a equipe responsável pela cirurgia, o fato de terem encontrado sangue já coagulado indica que o AVC já tivesse ocorrido há pelo menos dois dias.

Cirurgia em AVC hemorrágica é muito delicada, diz médico

“Todo procedimento neurocirúrgico em contexto de um AVC hemorrágico é delicado. A recuperação também pode um tempo maior, pelo fato de o cérebro ter sofrido um ferimento e também pelo tamanho do coágulo formado”, explica o neurocirurgião Feres Chaddad, professor e chefe da Disciplina de Neurocirurgia da Unifesp e coordenador da Neurocirurgia da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo.
Segundo ele,  durante a cirurgia, o objetivo não é somente salvar a vida do paciente, mas também evitar sequelas. Quando atinge o lobo frontal, região responsável pelo planejamento de ações e movimentos e também pelo pensamento abstrato – como foi o caso do ex-governador – o procedimento se torna ainda mais sensível.

Dr Chaddad explica que, após a cirurgia e respectivas análises de equipes multidisciplinares, é ideal que o paciente siga para reabilitação de possíveis sequelas e mantenha o acompanhamento e controle das comorbidades que possam estar associadas ao risco mais elevado de reincidência do quadro.

Mais sobre o caso Íris Rezende

Íris Rezende, que dedicou 62 anos à vida pública, sendo eleito quatro vezes para administrar a capital goiana, enfrentou nas últimas semanas, desde que sofreu o AVC, um quadro considerado muito delicado, segundo a família, o que foi agravado pela idade avançada, segundo os médicos.
Mais recentemente, o caso complicou e o político teve que enfrentar um tratamento contra forte infecção pulmonar no Hospital Vila Nova Star, em São Paulo, um dos mais caros do país. Seu corpo foi enterrado após salva de tiros e palmas, no cemitério Santana, em Goiânia, na noite desta terça-feira (9/11).

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TIPOS DE AVC

AVC, hoje, é a segunda maior causa de morte no mundo, atrás apenas da doença isquêmica cardíaca, de acordo com a Organização Mundial da Saúde, provocando inclusive impactos econômicos importantes no país.

AVC hemorrágico ocorre quando vasos que levam sangue ao cérebro entopem ou se rompem, provocando a paralisia da área cerebral que ficou sem circulação sanguínea. Os sintomas súbitos do AVC, como dor de cabeça, formigamento, perda da fala e/ou alteração da visão, podem durar de minutos até horas.

Já o AVC Isquêmico (AVCI), também conhecido por derrame ou isquemia cerebral, é causado pela falta de sangue em uma área do cérebro por conta da obstrução de uma artéria. Fraqueza ou adormecimento em apenas um lado do corpo, dificuldade para falar e/ou entender coisas simples, engolir, andar e enxergar, tontura, perda da força da musculatura do rosto ficando com a boca torta, dor de cabeça intensa e perda da coordenação motora. Os sinais acontecem de forma súbita e podem ser únicos ou combinado

Quando não mata, o AVCI deixa sequelas que podem ser leves e passageiras ou graves e incapacitantes. As mais frequentes são paralisias em partes do corpo e problemas de visão, memória e fala. A falta do sangue, que carrega oxigênio e nutrientes, pode levar à morte neuronal em poucas horas. Por isso, o reconhecimento dos sintomas e encaminhamento rápido ao hospital são atitudes fundamentais.

CAUSAS

As causas mais comuns que levam ao AVC hemorrágico, mais raro do que o AVC isquêmico, são:
  • Hipertensão Arterial – Quando descompensada, pode levar ao rompimento de vasos cerebrais;
  • Aneurisma Cerebral – Quando uma área de enfraquecimento da parede de uma artéria apresenta uma dilatação incomum;
  • Malformação Arteriovenosa (MAV) – Quando as artérias e veias em uma malformação arteriovenosa podem se romper, causando sangramento no cérebro;
  • Uso incorreto de anticoagulantes ou antiagregantes plaquetários – Os antiagregantes são usados para evitar a agregação entre as plaquetas e prevenir trombose em pacientes de risco. Os anticoagulantes servem para prevenir a trombose.

PREVENÇÃO

Entre as medidas que podem ser adotadas para evitar a ocorrência de um AVC estão:

  • Fazer o controle da pressão sanguínea;
  • Evitar o consumo de álcool, cigarro e drogas – Responsáveis também pelo aumento da pressão sanguínea
  • Realizar um uso racional de medicamentos – Especialmente os anticoagulantes que, se tomados incorretamente, podem aumentar o risco de desenvolver um AVC.
  • Atividades físicas – A prática de atividades aumenta a capacidade cardiorrespiratória e reduz a pressão sanguínea

Da Redação, com Agências (atualizado em 9/11/21)

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