Um em cada quatro diabéticos pode ter problemas nos pés

Cerca de 40% das pessoas não recebem tratamento por falta de diagnóstico. Pacientes com diabetes tipo 1 e tipo 2 devem passar por uma avaliação anual dos pés

Ana Carolina Almeida

 

Denise Franco - diabetes
Denise Franco, da Associação Diabetes Brasil, fala dos riscos da doença não controlada (Foto: Ana Carolina de Almeida)

Prevenir é melhor que remediar, já diz o ditado popular. No caso da diabetes, essa é a melhor recomendação, já que a doença cresceu 61,8% nos últimos 10 anos, segundo dados da pesquisa de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel) do Ministério da Saúde.

Atualmente, há cerca de 16 milhões de pessoas com diabetes, segundo a Organização Mundial da Saúde. A doença mata cerca de 2 milhões de pessoas com menos de 60 anos por ano. No Brasil, a maioria das pessoas com diabetes não tem acesso ao tratamento adequado, estando mais propensas a desenvolver complicações futuras.

Para Denise Franco, endocrinologista e diretora da Associação Diabetes Brasil (ADJ), “observar os fatores de risco é o melhor caminho de prevenir a doença”, que atinge mais mulheres do que homens.

Esta também é uma das principais causas de doenças vasculares, de AVC, insuficiência renal, amputação de membros inferiores e cegueira em adultos. De acordo com o Ministério da Saúde, em 2010, foram registradas 55 mil amputações.

Confira a entrevista de Denise Franco ao ViDA & Ação

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Exame do pé diabético

Hermelinda
Hermelinda Pedrosa defende o exame do pé diabético (Foto: Ana Carolina de Almeida)

A estimativa é que uma em cada quatro pessoas diabéticas, pode apresentar problemas nos pés ao longo da vida. As complicações são comuns pela falta de controle da taxa glicêmica. É importante estar atento porque cerca de 40% das pessoas não recebem tratamento por falta de diagnóstico.

Sintomas como queimação, formigamentos, dormência, dor (pontada, dor aguda), fraqueza ou fadiga e câimbras, devem ser receber atenção, assim como detalhes em caso de piora à noite, ao deitar, e melhora com as atividades.

Hermelinda Pedrosa, presidente da Sociedade Brasileira de Diabetes, defende o exame dos pés. “Realizamos uma pesquisa em que os pacientes nos relataram que os médicos nunca tocaram ou perguntaram sobre os pés”, revela. Pacientes com diabetes tipo 1, a partir do quinto ano de duração, e tipo 2, desde o diagnóstico, devem passar por uma avaliação anual dos pés, que inclui a história e exame clínico simples.

A Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia indica o autoexame. Com observação diária dos em um lugar bem iluminado e quem não tiver condições. A pessoa pode pedir a ajuda ou usar um espelho para melhorar a visão. Verificar se tem frieiras, cortes, calos, rachaduras, feridas, alterações na cor da pele (arroxeada) e das unhas (se demoram a crescer) e ausência de pelos. Na consulta médica, pedir ao médico que examine os pés. O paciente deve avisar de imediato o médico sobre qualquer alteração dentro de 24 horas.

 

 

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