Insuficiência cardíaca pode ser confundida com crise de asma

Pneumologista e cardiologista explicam que falhas no coração podem gerar sintomas típicos da asma. Veja ainda as principais diferenças entre asma e bronquite

Redação

Engana-se quem pensa que a chegada das temperaturas mais baixas é apenas sinônimo de gripe e resfriado. Apesar de não ser transmissível, a asma e a bronquite são doenças que costumam afetar grande parte da população nesta época do ano. Por terem sintomas semelhantes, muitas pessoas acreditam que a asma e bronquite são a mesma doença. Mas a asma também pode ser confundida com a insuficiência cardíaca.

Enquanto a asma é causada pela hipersensibilidade e alergia das vias respiratórias, a segunda, como o nome sugere, é o resultado de falhas no funcionamento do coração. “Uma doença não tem relação direta com a outra. Contudo, existem níveis leves e moderados de insuficiência cardíaca que provocam acúmulo de fluídos nos pulmões (edema pulmonar). Isso causa falta de ar, “chiado no peito” e tosse, sintomas típicos da asma”, explica Enrique Pachón, cardiologista e responsável pelo Serviço de Arritmias Cardíacas do HCor.

Segundo ele, a confusão acontece principalmente quando a pessoa desconhece sua condição cardíaca, por ser muito leve. Se houver histórico de asma, doença que atinge cerca de 10% da população brasileira, a confusão no momento de crise se torna ainda mais provável. E é justamente nesse momento que a saúde fica em risco.

Os medicamentos usados contra crises de asma podem agravar a descompensação da insuficiência cardíaca, criando uma emergência médica perigosa. Isso acontece porque esses medicamentos podem acelerar o ritmo cardíaco, intensificando o problema ou até causando arritmias diversas que podem ser muito graves”, ressalta o especialista.

Prevenção, Diagnóstico e tratamento

Para evitar essas confusões, prevenção e diagnóstico precoce são fundamentais. Recomenda-se um check-up com exames específicos para o coração a partir dos 30 anos. Se houver histórico familiar de doenças cardíacas, os exames podem ser realizados ainda mais cedo. Também são fatores de risco pressão alta, diabetes, anemia, obesidade, consumo abusivo de álcool e outros problemas cardíacos

Existem tratamentos clínicos e cirúrgicos, incluindo até o uso de marca-passos especiais para o controle da insuficiência cardíaca. Quem sofre dessa doença precisa controlar os fatores de risco, fazer boa alimentação sem excesso de sal e praticar exercícios físicos, com orientação médica. Isso reduz o risco de crises e complicações.

A insuficiência cardíaca é mais comum em idosos e, segundo estudo realizado pelo SUS, apesar de menos comum, alguns pacientes podem apresentar as duas condições de forma independente (asma e insuficiência cardíaca), o que exige do médico um cuidado extremo para que os medicamentos utilizados no controle de um problema não venham a agravar o outro. De modo geral, o tratamento passa a ser combinado entre o cardiologista e o pneumologista de forma a se produzirem os melhores resultados.

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Como diferenciar a asma da bronquite

A médica pneumologista do Hospital Dia do Pulmão, Caroline Uber Ghisi,  lembra que, antigamente, a asma era denominada de bronquite. Mas é importante ressaltar que, são duas doenças distintas, embora atinjam a mesma região: as vias respiratórias”, diz.

Tanto a bronquite quanto a asma são mais comuns na infância. “Na grande maioria dos pacientes a tendência é de regressão na adolescência e, no caso da asma, pode não ocorrer mais sintomas na vida adulta, mas não existe regra. Alguns pacientes podem permanecer com asma ao longo da vida”.

asma é uma doença crônica e tem causa genética. Nesta situação, o paciente apresenta inflamação nos brônquios mesmo sem se expor a fatores ambientais, embora a exposição piore a doença e possa desencadear crises. A exposição em ambientes insalubres, mofados, com infiltração nas paredes, exposição a poeiras e a própria oscilação diária da temperatura, típica do outono e inverno em nossa região, é suficiente para desencadear crises e piorar a doença.

A exposição a infecções virais e bacterianas também costuma piorar os sintomas da asma, provocando crises. A bronquite aguda, em contrapartida, é autolimitada e ocorre após insultos agudos, melhorando após tratamento curto e direcionado por um especialista. “Para controlar o problema e reduzir o risco de complicações é essencial que cada indivíduo tenha o tratamento adequado”, explica a Dra. Caroline.

A bronquite aguda também é muito comum em todo o mundo. Contraída por pessoas de qualquer faixa etária, desde crianças até idosos, a doença é caracterizada pela inflamação dos brônquios. A médica ainda ressalta que, a terminação “ite”, pode ser traduzida para inflamação.

Quando falamos em bronquite, estamos dizendo que os brônquios – que são aqueles pequenos ‘canos’ que levam o ar até os pulmões – estão inflamados, e existem muitas causas que inflamam os brônquios, como exposição a fumaças, poeiras, produtos químicos, exposição a vírus e bactérias. Neste caso, dizemos que é a bronquite aguda”, esclarece.

Ou seja, na bronquite aguda os sintomas têm curto tempo de evolução, geralmente dias, e costumam ser resolvidos com tratamentos mais curtos e limitados. Já na asma a inflamação brônquica que ocorre é crônica, e, os sintomas possuem início e duração mais prolongados, semanas ou meses, necessitando de tratamento regular e prolongado.

Diagnóstico e tratamento adequados para cada doença

Sensação de opressão no peito, falta de ar, dificuldade de encher completamente os pulmões, chiado no peito, cansaço excessivo nas atividades do dia a dia ou nas atividades físicas, são alguns dos sintomas da asma. A médica explica que tudo isso ocorre em decorrência dos brônquios estarem constantemente inflamados e, sem o tratamento adequado, pode gerar dificuldade na passagem do ar através dos brônquios, causando a falta de ar.

Na bronquite, a falta de ar, irritação na garganta, febre, tosse com secreção, chiado e dor no peito, são alguns dos sintomas. Para a detecção da doença, o especialista faz uma série de perguntas sobre os hábitos do paciente, chegando assim ao diagnóstico.

O diagnóstico da asma, por sua vez, ocorre por meio do histórico do paciente, exame físico e também pela investigação com exames específicos de função pulmonar, como a expirometria e o teste de broncoprovocação, popularmente conhecidos como “exames de sopro”. “Nestes exames o pneumologista avalia uma série de critérios para entender se os brônquios do paciente estão inflamados ou parcialmente fechados”, conta a médica.

Com o avanço das tecnologias e novos medicamento, o tratamento de doenças ganhou um forte aliado. A bronquite aguda permanece por no máximo, 15 dias. O tratamento pode variar, com uso de vaporizantes e analgésicos.

Na asma, o acompanhamento é feito com medicações inalatórias. Existem diversos tipos de inaladores hoje no mercado. A especialista explica que a escolha da melhor opção depende de diversos fatores, incluindo a gravidade da doença, a capacidade pulmonar do paciente em aspirar a medicação, e até mesmo a preferência e adaptação pessoal do paciente em relação ao produto.

“Sendo assim, o acompanhamento com o pneumologista é fundamental para a adequação do paciente ao tratamento. Atualmente, o tratamento deve ser individualizado e personalizado”, finaliza Dra. Caroline.

Fontes: HCor e Hospital Dia do Pulmão

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