Alerta para surto de dengue, zika e chikungunya no verão

No Rio de Janeiro, incluindo a capital, são 45 cidades em alerta ou risco para estas doenças. Ministério da Saúde reforça ações de combate com mil novas caminhonetes para fumacê

Redação
Ao todo, serão 1 mil novas caminhonetes para acoplar os equipamentos de fumacê (Foto: Divulgação)

Quase metade dos 92 municípios do Estado do Rio de Janeiro pode ter surtos de dengue, zika e chikungunya no verão que se aproxima. São 43 cidades em alerta – incluindo a capital – e três em risco de surto das doenças. Outras 45 estão em situação satisfatória. Na cidade do Rio, a maior parte dos criadouros foi encontrada em depósitos domiciliares (2.320), seguida de depósitos de lixo (1.711) e água (1.577).

É o que mostra o novo Levantamento Rápido de Índices de Infestação pelo Aedes aegypti (LIRAa) de 2018, apresentado nesta quarta-feira (12), em Brasília (DF). Na ocasião, o presidente Michel Temer e o ministro da Saúde, Gilberto Occhi, entregaram mil caminhonetes para diferentes regiões do país, como força efetiva no combate ao mosquito. Ao todo, o Ministério da Saúde investiu R$ 109,4 milhões na aquisição dos veículos.

Durante solenidade, foram entregues 600 caminhonetes, que serão destinadas às regiões Centro-Oeste e Sudeste. Os outros 400 veículos também já estão disponíveis para as demais regiões. São 240 para a região Centro-Oeste; 155 para a região Sudeste; 280 para o Nordeste; 230 para o Norte; e 95 para o Sul.

O critério para definição dos estados e regiões foi epidemiológico e entomológico (infestação do mosquito), além de concentração populacional. Com essas caminhonetes os estados e municípios podem acoplar os equipamentos de fumacê para ações locais. O quantitativo se soma às 375 caminhonetes adquiridas no início deste ano e já distribuídas para 26 estados do país.

Na ocasião, o ministro apresentou os dados do LIRAa e lançou o Sistema Integrado de Controle de Vetores (SIVector), que substituirá o Sistema do Programa Nacional de Controle da Dengue (SISPNCD) com informações georreferenciadas para o controle do Aedes aegypti Aedes albopictus, mosquitos transmissores das doenças dengue, zika e chikungunya.

DADOS NACIONAIS

Em todo o país, 5.358 municípios, 96,2% da totalidade de cidades, realizaram algum tipo de monitoramento do mosquito transmissor dessas doenças, sendo 5.013 por levantamento de infestação (LIRAa/LIA) e 345 por armadilha. A metodologia armadilha é utilizada quando a infestação do mosquito é muito baixa ou inexistente. Dados do LIRAa indicam que 504 municípios brasileiros apresentam alto índice de infestação, com risco de surto para doenças transmitidas pelo mosquito.

Além das cidades em situação de risco, o LIRAa identificou 1.881 municípios em alerta, com o Índice de Infestação Predial (IIP) entre 1% a 3,9% e 2.628 municípios com índices satisfatórios, inferiores a 1%. Todas as capitais do país realizaram um dos monitoramentos de mosquito: 25 realizaram o LIRAa; e duas, armadilhas.

Estão com índices satisfatórios os municípios de Curitiba (PR), Teresina (PI), João Pessoa (PB), Florianópolis (SC), São Paulo (SP), Macapá (AP), Maceió (AL), Fortaleza (CE) e Aracaju (SE). As capitais com índices em estado de alerta são: Manaus (AM), Belo Horizonte (MG) Recife (PE), Rio de Janeiro (RJ), Brasília (DF), São Luís (MA), Belém (PA), Vitória (ES), Salvador (BA), Porto Velho (RO), Goiânia (GO) e Campo Grande (MS).

Já as capitais Palmas (TO), Boa Vista (RR) Cuiabá (MT) e Rio Branco (AC) estão em risco de surto de dengue, zika e chikungunya por apresentarem Índice de Infestação Predial (IIP) igual ou superior a 4%. As capitais Natal (RN) e Porto Alegre (RS) fizeram o levantamento por armadilha. Todas as formas de coleta de dados ocorreram no período de outubro e novembro deste ano.

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DADOS EPIDEMIOLÓGICOS

DENGUE – Até 3 de dezembro, foram notificados 241.664 casos de dengue em todo o país, um pequeno aumento em relação ao mesmo período de 2017 (232.372). A taxa de incidência, que considera a proporção de casos por habitantes, é de 115,9 casos/100 mil habitantes. Em comparação ao número de óbitos, a queda é de 19,3% em relação ao mesmo período do ano anterior, passando de 176 mortes em 2017 para 142 neste ano.

Acompanhe o vídeo – Prevenção é a medida mais eficaz para combater a dengue

CHIKUNGUNYA – Até 3 de dezembro, foram notificados 84.294 casos de chikungunya em todo o país, redução de 54% em relação ao mesmo período de 2017 (184.344). A taxa de incidência, que considera a proporção de casos por habitantes, é de 40,4 casos/100 mil habitantes. Em comparação ao número de óbitos, a queda é de 81,6% em relação ao mesmo período do ano anterior, passando de 191 mortes em 2017 para 35 neste ano.

Acompanhe o vídeo – CHIKUNGUNYA: Uma dor que pode durar anos

ZIKA – Até 3 de dezembro, foram notificados 8.024 casos de zika em todo o país, redução de 53% em relação ao mesmo período de 2017 (17.025). A taxa de incidência, que considera a proporção de casos por habitantes, é de 3,8 casos/100 mil habitantes. Neste ano, foram quatro óbitos por Zika.

Acompanhe o vídeo – Você pode ter zika sem saber

 

 

Mapa do mosquito

O mapa da dengue, como é chamado o Levantamento Rápido de índices de Infestação pelo Aedes aegypti (LIRAa), é um instrumento fundamental para o controle do mosquito e das doenças. Com base nas informações coletadas, o gestor pode identificar os bairros onde estão concentrados os focos de reprodução do mosquito, bem como o tipo de criadouro predominante. O objetivo é que, com a realização do levantamento, os municípios tenham melhores condições de fazer o planejamento das ações de combate e controle do mosquito.

O Ministério da Saúde recomenda aos municípios que realizem ao menos quatro vezes ao ano o LIRAa para que os gestores locais definam suas estratégias de prevenção. Em janeiro de 2017, o Ministério da Saúde publicou Resolução nº 12 que torna obrigatório o levantamento entomológico de infestação por Aedes aegypti pelos municípios e o envio da informação para as Secretarias Estaduais de Saúde e destas, para o Ministério da Saúde. A realização do levantamento está atrelada ao recebimento da segunda parcela do Piso Variável de Vigilância em Saúde, recurso extra que é utilizado exclusivamente para ações de combate ao mosquito.

Acesse a lista com os dados do Liraa regionalizados

Assista ao vídeo da coletiva

CRIADOUROS DE MOSQUITO

A metodologia permite identificar onde estão concentrados os focos do mosquito em cada município, além de revelar quais os principais tipos de criadouros, por região. Os resultados reforçam a necessidade de intensificar imediatamente as ações de prevenção contra a dengue, zika e chikungunya, em especial nas cidades em risco e em alerta.

O armazenamento de água no nível do solo (doméstico), como tonel, barril e tina, foi o principal tipo de criadouro na região Nordeste. Na região Sudeste o maior número de depósitos encontrados foi em domicílio, caracterizados por vasos/frascos com água, pratos e garrafas retornáveis. Nas regiões Centro-Oeste, Norte e Sul predominou o lixo, como recipientes plásticos, garrafas PET, latas, sucatas e entulhos de construção.

SISTEMA INTEGRADO DE CONTROLE DE MOSQUITOS

O Sistema Integrado de Controle de Vetores (SIVector) substituirá o Sistema do Programa Nacional de Controle da Dengue (SISPNCD) com informações georreferenciadas para o controle do Aedes aegypti Aedes albopictus. O software unirá dados epidemiológicos (casos das doenças) do Sistema Nacional de Agravos de Notificação (SINAN) com dados de controle vetorial e entomologia (LIRAa/LIA), possibilitando uma análise mais detalhada e em tempo real da situação dos estados e municípios.

O sistema irá possibilitar ao município um melhor controle das atividades de combate ao Aedes, apresentando, de forma visual, as áreas que devem ser priorizadas. A partir do próximo ano, os estados serão capacitados para utilização da ferramenta.

Da Agência Saúde, com Redação

AÇÕES PERMANENTES

As ações de prevenção e combate ao mosquito são permanentes e tratadas como prioridade pelo Governo Federal. Todas as ações são gerenciadas e monitoradas pela Sala Nacional de Coordenação e Controle para enfrentamento do Aedes que atua em conjunto com outros órgãos, como o Ministério da Educação; da Integração, do Desenvolvimento Social; do Meio Ambiente; Defesa; Casa Civil e Presidência da República. A Sala Nacional articula com as Salas Estaduais e Municipais as ações de mobilização e também monitora os ciclos de visita a imóveis urbanos no Brasil, que são vistoriados pelos agentes de combate às endemias.

O Ministério da Saúde também oferece, continuamente, aos estados e municípios apoio técnico e fornecimento de insumos, como larvicidas para o combate ao vetor, além de veículos para realizar os fumacês, e testes diagnósticos, sempre que solicitado pelos gestores locais. Para estas ações, a pasta tem garantido orçamento crescente aos estados e municípios. Os recursos para as ações de Vigilância em Saúde, incluindo o combate ao Aedes aegypti, cresceram nos últimos anos, passando de R$ 924,1 milhões, em 2010, para R$ 1,9 bilhão em 2018. Este recurso é destinado à vigilância das doenças transmissíveis, entre elas dengue, zika e chikungunya e é repassado mensalmente a estados e municípios.

DADOS EPIDEMIOLÓGICOS 

DENGUE – Até 3 de dezembro, foram notificados 241.664 casos de dengue em todo o país, um pequeno aumento em relação ao mesmo período de 2017 (232.372). A taxa de incidência, que considera a proporção de casos por habitantes, é de 115,9 casos/100 mil habitantes. Em comparação ao número de óbitos, a queda é de 19,3% em relação ao mesmo período do ano anterior, passando de 176 mortes em 2017 para 142 neste ano.

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CHIKUNGUNYA – Até 3 de dezembro, foram notificados 84.294 casos de chikungunya em todo o país, redução de 54% em relação ao mesmo período de 2017 (184.344). A taxa de incidência, que considera a proporção de casos por habitantes, é de 40,4 casos/100 mil habitantes. Em comparação ao número de óbitos, a queda é de 81,6% em relação ao mesmo período do ano anterior, passando de 191 mortes em 2017 para 35 neste ano.

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ZIKA – Até 3 de dezembro, foram notificados 8.024 casos de zika em todo o país, redução de 53% em relação ao mesmo período de 2017 (17.025). A taxa de incidência, que considera a proporção de casos por habitantes, é de 3,8 casos/100 mil habitantes. Neste ano, foram quatro óbitos por Zika.

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