Amamentação não é responsabilidade só da mãe

Mulher que amamenta precisa de uma rede de apoio que inclui a família e os profissionais de saúde. Saiba como você também pode ajudar

Especialistas destacam a importância da rede de apoio à mulher que amamenta (Imagem: Shutterstock/Cejam)
O nascimento de um bebê geralmente é cercado de alegrias, surpresas e dúvidas. Pais de primeira ou de múltiplas viagens podem se sentir inseguros em relação a diferentes temas da parentalidade – incluindo a amamentação. Para dar uma força a esses pais, este mês é conhecido mundialmente como o Agosto Dourado, de incentivo ao aleitamento materno, com reforço especial na primeira semana.
Para 2021, a Aliança Mundial para Ação de Aleitamento Materno traz como tema a responsabilidade compartilhada. Além conscientizar à sociedade acerca das vantagens do aleitamento materno, uma bandeira importante que a campanha levanta é a necessidade de fortalecer a importância da rede de apoio à amamentação, que se trata de um grupo de pessoas que podem contribuir de alguma forma com a mãe lactante.
“A amamentação não é uma responsabilidade exclusiva da mãe. É um cuidado de saúde pública, uma vez que é essencial para o primeiro ano de vida da criança, reduz a mortalidade e a desnutrição infantil e, consequentemente, para a saúde coletiva”, destaca Cinthia Calsinski, enfermeira obstetra da Unifesp e consultora de amamentação.
Cinthia Calsinski, enfermeira obstetra (Foto: Divulgação)

Segundo ela, para conseguir amamentar, a mulher precisa estar tranquila, descansada, bem alimentada e hidratada. O pai tem papel fundamental na amamentação, seja ao proporcionar à mãe o ambiente tranquilo que ela precisa para conseguir alimentar o bebê, seja incentivando-a a não desistir, mesmo diante das dificuldades que possam surgir.

Cinthia lembra que a rede de apoio é essencial para o aleitamento materno e muito importante para que a mãe não desanime diante das dificuldades. Essa rede inclui o pai, os avós, os amigos e até o pediatra do bebê. Mas, não são os únicos: toda a sociedade pode contribuir ao dar condições para que a mãe amamente.

A mulher precisa ter a proteção do aleitamento em todos os âmbitos, seja em casa, com a família e, até mesmo, os vizinhos; no trabalho, amparada pelas leis; na imprensa, com a divulgação de informações corretas sobre o assunto etc.
Uma das principais dificuldades das lactantes, em especial as de classe mais baixa, está em dar continuidade ao aleitamento materno ao fim da licença maternidade. Muitas empresas não contam com um ambiente adequado para que ela possa fazer a ordenha e guardar o leite para o bebê, por exemplo”, observa a especialista.

Blues puerperal durante a amamentação

Para a enfermeira  Rosimeire da Silva Criscuolo, supervisora do Programa Parto Seguro, gerenciado pelo Cejam – Centro de Estudos e Pesquisas “Dr. João Amorim”, em parceria com a Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo, essa rede de proteção à mulher que amamenta pode ser composta por diferentes pessoas, desde o marido, um parente, um amigo próximo, um vizinho ou até uma instituição que dê suporte para mulher que esteja amamentando.

“A essas pessoas cabe o auxílio prático com os afazeres domésticos, compras no supermercado, cuidados com outros filhos, cuidar da alimentação, hidratação e repouso da mãe, além de respeitar e apoiar suas decisões. A mulher deve ser preparada, assim como as pessoas à sua volta, pois elas devem atuar como sua rede de apoio”, explica.

Ela ainda chama atenção para os riscos do blues puerperal, um estado efêmero que atinge cerca de 50% a 80% das mulheres no período do pós-parto, entre o quarto e quinto dia devido às alterações hormonais e de adaptação ao novo papel de mãe. De acordo com Rose, isso pode interferir na amamentação e nos cuidados com o bebê, pois a mulher passa por momentos de altos e baixos, com crises de choro, tristeza, euforia, frustração, ansiedade, exaustão e insônia, esquecendo até mesmo de si mesma em alguns casos.

“A mulher deve ser ajudada e tranquilizada por sua rede de apoio e pelos profissionais de saúde, pois essa trata-se de uma fase de adaptação. Para casos de blues puerperal não há necessidade de medicação, mas é necessário que a mãe seja observada e acompanhada”, esclarece a especialista.

OS, operadora de saúde e maternidade formam redes de apoio

No Programa Parto Seguro do Cejam, a amamentação é abordada capacitando sistematicamente os colaboradores, para auxiliar a mãe, o bebê e seus familiares no manejo de aleitamento materno. Segundo a enfermeira, entre as ações práticas, os profissionais do programa orientam as mães sobre como reconhecer os sinais de fome do seu bebê, além de oferecer o peito à criança, observando questões como a boa pega e a posição do bebê.
Eles também ensinam a auto ordenha para esvaziamento da mama, quando necessário. “Oferecemos informações relevantes às mulheres, além de ajuda prática, fortalecendo o processo antes do nascimento e durante toda a internação, para que a mãe saia de alta fortalecida, para a prática do aleitamento materno”, finaliza a especialista.

Para Rodrigo Roels, coordenador da equipe de Obstetrícia do Programa Bebê Assim, do Grupo Assim Saúde, a rede de apoio é essencial para que a mulher se sinta protegida e segura para amamentar o seu bebê. O acolhimento acontece por diversas frentes, em especial, por meio da família, dos amigos e dos profissionais de saúde que a assistem. Todas essas ações são capazes de minimizar a sobrecarga, por vezes, imposta unicamente à mulher, tornando o momento mais leve e prazeroso”, destaca Roels.

“Também é importante que essa mãe saiba onde e a quem recorrer para esclarecer dúvidas ou resolver quaisquer dificuldades que, porventura, surjam sobre a amamentação, muito comuns no início do processo. Afinal, a saúde do bebê não pode ser tratada como uma responsabilidade centrada apenas na figura da mulher. As orientações sobre a amamentação precisam ser fortalecidas durante o ano inteiro e estarem presentes desde o planejamento da gestação até o pós-parto”, ressalta.

A nutricionista Danielly Sousa, responsável técnica do Banco de Leite Humano do Hospital Materno-Infantil de Barcarena, no Pará, destaca que a amamentação deve ser compreendida como uma responsabilidade compartilhada. “O Agosto Dourado vem para reforçar sobre o papel do aleitamento materno e como ele contribui para a sobrevivência, saúde e desenvolvimento saudável do bebê. Quando todos se envolvem pela causa, ela ganha mais força”, pontua a profissional.

Saiba mais sobre o Agosto Dourado

Entre os dias 1º e 7 de agosto é celebrada a Semana Mundial de Aleitamento Materno (SMAM), criada para a realização de atividades que buscam promover o leite materno como alimento exclusivo até o sexto mês de vida, se estendendo até os dois anos ou mais.
Neste ano, a campanha recebeu tema “Proteja amamentação: uma responsabilidade compartilhada”.

A campanha, que em 2022 completa 30 anos de existência, é comemorada no Brasil desde 1999 e faz parte das ações do Agosto Dourado, criado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) em 1991 com o objetivo de prover, incentivar e dar informações acerca da importância da aleitamento materno.

A amamentação é, isoladamente, a estratégia que mais contribui para a diminuição da mortalidade infantil em todo o mundo, conforme a OMS. Dados do Ministério da Saúde apontam que o leite materno pode reduzir até 13% a mortalidade por causas evitáveis em crianças menores de 5 anos. Além disso, os riscos de desenvolver um câncer de mama reduzem em 6% a cada ano que a mulher amamenta.
A cor dourada foi escolhida para representar a campanha pois o leite materno é considerado por especialistas padrão ouro de qualidade.
Além dos benefícios à saúde da criança e da mulher, a enfermeira ressalta a importância do gesto para o desenvolvimento intelectual, cognitivo, social e emocional da criança, fortalecendo o vínculo entre mãe e filho para toda a vida.
Para a enfermeira Rosimeire da Silva Criscuolo, a campanha Agosto Dourado é importante para planejar, divulgar e executar ações para promoção da amamentação. “Estas ações estão focadas na sobrevivência, proteção e no desenvolvimento da criança. Com o Agosto Dourado reforçamos, que apoiando o aleitamento materno, os benefícios são de curto, médio e longo prazo e levam a um impacto positivo na saúde, na economia e nas questões sociais.”
Este ano, além de chamar a atenção para a responsabilidade compartilhada na amamentação, a campanha tem o objetivo de divulgar a importância da Norma Brasileira de Comercialização de Alimentos para Lactantes e Crianças de Primeira Infância, Bicos, Chupetas e Mamadeiras (NBCAL), que protege as mulheres e suas famílias do marketing, não ético.
Sendo a amamentação uma responsabilidade compartilhada, a torcida é para que a partir desta campanha de conscientização mais locais passem a estimular e colaborar com o aleitamento materno. Faça também a sua parte.
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