Atitude Sustentável: brasileiro desperdiça 76 milhões de toneladas de lixo

35% do coletado poderiam ser reciclados ou reutilizados e 35%, virar adubo. Cidades Lixo Zero lança o desafio de tornar a vida mais sustentável nas cidades

Redação
Desperdício de alimentos No Brasil, toneladas de alimentos são jogadas fora todos os dias, enquanto milahres de famílias ainda passam fome (Foto: Agência Senado)

O Dia Mundial do Meio Ambiente (5 de junho) chama a atenção de todas as esferas da população para os problemas ambientais e para a importância da preservação dos recursos naturais, que até então eram considerados, por muitos, como inesgotáveis. Na mesma data aqui no Brasil, comemora-se também o Dia Nacional da Reciclagem, com objetivo de levar à população a uma reflexão sobre as questões ambientais.

A reciclagem do lixo, compostagem e coleta seletiva são ações que podem ajudar a diminuir o impacto da produção de resíduos sólidos já que o lixo é um dos principais problemas atuais da nossa sociedade e está relacionado com os padrões de consumo atuais. Vejam a incoerência: enquanto milhares de famílias passam fome ou se alimentam mal, os brasileiros jogam fora 76 milhões de toneladas de lixo, desse total cerca de 35% do coletado poderia ser reciclado ou reutilizado e outros 35% poderiam virar adubo.

Ou seja, 70% da poluição do meio ambiente iria se transformar em algo útil e limpo para todo mundo, mas só 3% vão para a reciclagem. Em dez anos, o número de municípios que implantaram programas de reciclagem aumentou de 81 para mais de 900. Mas isso não representa nem 20% das cidades.

Segundo pesquisa realizada com 1.055 municípios brasileiros, em 2016, pela Ciclosoft e articulada pela organização Compromisso Empresarial para Reciclagem (Cempre), a coleta seletiva está presente em apenas 18% dos municípios brasileiros.

O país produz 80 milhões de toneladas de resíduos sólidos por ano, cerca de 200 estádios de futebol. Como menos de 3% deste total é reciclado, a economia brasileira perde, anualmente, R$ 120 bilhões em produtos que poderiam ser reaproveitados”, alerta Rodrigo Sabatini, presidente do Instituto Lixo Zero Brasil.

Congresso internacional debaterá Cidades Lixo Zero

Para discutir estas e outras questões envolvendo o combate ao desperdício e os desafios à redução de resíduos nas cidades, acontece esta semana em Brasília a primeira edição do Congresso Internacional Cidades Lixo Zero (Zero Waste Cities). O evento reúne grandes especialistas sobre o tema, tanto do Brasil quanto do mundo. Gente como o sueco Pal Martensson, idealizador do maior parque de reuso do mundo, estará na capital federal apresentando as melhores práticas e as mais avançadas tecnologias.

Cidades lixo zero são as que desviam dos aterros sanitários mais de 70% dos resíduos sólidos, os quais são destinados a reciclagem, reuso, reprojeto. Orgânicos seguem para compostagem’, explica Rodrigo Sabatini.

Ainda atrasado na implementação do conceito lixo zero, o Brasil envia para aterros sanitários, em média, 98% dos resíduos produzidos. A cidade de San Francisco, nos Estados Unidos, tem cerca de um milhão de habitantes e desvia 85% dos resíduos dos aterros.

Com o congresso, o Instituto Lixo Zero Brasil pretende informar gestores públicos de todo o país sobre a importância da adoção da metodologia que muda o comportamento de indivíduos e permite economizar boa parte dos recursos públicos de uma cidade. Afinal, hoje, o lixo é o terceiro maior gasto dos municípios brasileiros.

Cidade do Japão tem 45 categorias de coleta seletiva

Outra convidada confirmada é Akira Sakano, presidente do Conselho de Administração da Academia Zero Waste no Japão, selecionada como Global Shaper do Fórum Econômico Mundial. A academia é uma organização sem fins lucrativos, criada em 2005 e baseada na cidade de Kamikatsu, a primeira comunidade local declarada para atingir a meta da Zero Waste no Japão. Famosa por suas 45 categorias de coleta seletiva feitas pelos moradores, a cidade alcançou quase 80% de reciclagem de resíduos.

O contato com experiências como a do Japão promete inspirar os gestores públicos e a sociedade brasileira como um todo. Outros grandes nomes que estarão em Brasília são Richard Anthony, presidente e fundador da Aliança Internacional Lixo Zero nos Estados Unidos; Charles Moore, capitão do navio de pesquisa Alguita, que descreveu as ilhas de lixo no Pacífico; e Leslie Lucaks, responsável pelo programa Lixo Zero em grandes estádios nos Estados Unidos como o Rose Bowl.

Entre os especialistas brasileiros que farão apresentação durante o evento está Mateus Mendonça, especialista em inovação, gestão e avaliação de projetos socioambientais. Mateus é diretor de Inteligência de Recursos e Reciclagem na Giral Viveiro de Projetos. Foi secretário executivo da Rede de Progresso Social no Brasil e finalista do prêmio INDEX Design to Improve Life, na Dinamarca, em 2015. No mesmo ano, foi nomeado pela Revista MIT Technology Review como um dos 10 jovens inovadores no Brasil.

Manual sobre gerenciamento do lixo

O Compromisso Empresarial para Reciclagem (CEMPRE) acaba de lançar a 4ª edição do “Lixo Municipal – Manual de Gerenciamento Integrado”. O material passou por ampla revisão e teve dados estatísticos atualizados. Com o objetivo de contribuir com informações essenciais para o gerenciamento integrado do lixo municipal, o guia será disponibilizado gratuitamente, em versão digital, no site da entidade – http://cempre.org.br.

A ideia é que o uso desse manual, que é extremamente completo, leve os municípios à adoção de práticas sustentáveis, bem como à defesa do meio ambiente e da qualidade de vida. Mesmo com os avanços da coleta seletiva no país, segundo a pesquisa Ciclosoft 2016, apenas 18% do total de municípios no Brasil dispõe desse serviço. Por isso, o manual se torna uma ferramenta ainda mais importante, já que traz uma série de especificações técnicas e dados que podem ajudar a implantar ou melhorar a gestão de resíduos das cidades.

Reaproveitamento de lixo orgânico

Em Betim, região metropolitana de Belo Horizonte, o Instituto Ramacrisna realiza desde 2014 o reaproveitamento do lixo orgânico, como as cascas de frutas, verduras e legumes consumidos no refeitório, por alunos e funcionários, além de folhas secas e apara de grama. Este lixo orgânico é destinado ao projeto de compostagem, que fica maturando durante 4 meses, quando o composto então é retirado e fica mais homogêneo, por mais um mês curtindo.

O processo é separado por cercadinhos de madeira e placas com datas informando o início do processo. Quando o composto se transforma em adubo orgânico, ele é utilizado nos jardins do Ramacrisna. Os alunos do Centro do Centro de Apoio Educacional fazem visitas frequentes para entenderem o processo e como é feito o reaproveitamento do lixo orgânico.

Outro projeto desenvolvido pelo Ramacrisna no CAER – Centro de Apoio Educacional Ramacrisna é a Oficina de Brinquedos, criada em 2008 que aliada ao projeto de sustentabilidade ambiental do Ramacrisna, reaproveita as madeiras de paletes, enviadas por empresas parceiras, para criar brinquedos personalizados para as crianças. A Oficina deArtes, que acontece desde 1995 também desenvolve atividades voltadas para transformar sucata em arte e promove o reaproveitamento do lixo e a preservação do meio ambiente.

A Associação Futurarte, que teve início em 2004, é mais um dos projetos voltados para a sustentabilidade no Ramacrisna, o objetivo é gerar trabalho e renda para mulheres em situação de vulnerabilidade social da região a partir da produção e comercialização de produtos artesanais sustentáveis, promovendo uma atividade ambientalmente correta. A produção prioriza o reaproveitamento de materiais como: jornais, sacos de cimento, banners, retalhos de tecidos e surpreende pela qualidade e design das peças.

Da Redação, com Assessorias

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