Cigarro eletrônico e narguilé são os novos vilões

Segundo dados da OMS, consumir uma rodada de narguilé é equivalente a fumar 100 cigarros. Já o cigarro eletrônico não é seguro e deve ser evitado, diz especialista

Redação

Hoje apenas 12% da população brasileira é tabagista, menos da metade de duas décadas atrás. O número de fumantes passivos vem diminuindo assim como o uso entre os jovens.  Isso foi conquistado com políticas mais duras como aumento dos impostos sobre o cigarro, proibição de propagandas, restrição do uso em ambientes fechados e uso de fotos nas embalagens que mostram os efeitos deletérios causados pelo hábito.

Mas ainda assim, o Brasil ocupa a oitava posição no ranking em número absoluto de tabagistas. Estima-se que um em cada quatro homens e uma em cada 20 mulheres ainda fumem. Bo mundo moderno, os riscos podem simplesmente mudar de roupagem. É o caso do uso crescente do narguilé e do cigarro eletrônico.

Segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), consumir uma rodada narguilé é equivalente a fumar 100 cigarros. Os riscos para a saúde estão relacionados com inalação de monóxido de carbono, hidrocarbonetos aromáticos e aldeídos voláteis, substâncias encontrados no cigarro.

Já o modelo eletrônico armazena nicotina líquida, água, substâncias aromatizantes e solventes que, alimentado por uma bateria, produz um vapor com tais compostos, é erroneamente utilizado como uma ferramenta para cessar o tabagismo ou uma forma ‘segura’ de fumar.

Ele contém menos substâncias tóxicas, pois não queimam o tabaco, mas ainda não se sabe os danos que podem causar em longo prazo. Muitas vezes difundidos como hábitos inofensivos, na realidade não são seguros e devem ser evitados”, afirma David Pinheiro Cunha, oncologista do Grupo SOnHe – Sasse Oncologia e Hematologia.

Cigarro eletrônico foi aprovado nos EUA

A poucas semanas do Dia Mundial Sem Tabaco (31 de maio), uma das maiores fabricantes de cigarro divulgou que seu sistema de  tabaco eletricamente aquecido foi aprovado pela Agência de Vigilância Sanitária americana (FDA). O IQOS, como foi batizado o cigarro eletrônico da Philip Morris International, teria sido apontado no dia 8 de maio como apropriado para a proteção da saúde pública e teve sua venda autorizada nos Estados Unidos.

“A decisão da FDA segue uma avaliação abrangente da ciência do produto de tabaco aquecido solicitada pela Philip Morris em 2017. Ao contrário dos cigarros, o sistema IQOS aquece – mas não queima – o tabaco”, informa a fabricante.

Ainda segundo a marca,  este é o primeiro produto de tabaco aquecido eletricamente a ser autorizado para venda nos EUA, de acordo com a lei de 2009 que autoriza a FDA a regulamentar os produtos de tabaco, inclusive por meio da supervisão de produtos inovadores.

Comentando o anúncio do FDA, André Calantzopoulos, CEO da PMI, disse que a decisão da FDA de autorizar o IQOS nos EUA “é um passo importante para os cerca de 40 milhões de homens e mulheres americanos que fumam. Alguns vão desistir. A maioria não, e para eles a IQOS oferece uma alternativa livre de fumaça”.

Ele afirma que em apenas dois anos, 7,3 milhões de pessoas em todo o mundo abandonaram os cigarros e mudaram completamente para o IQOS. “A decisão do FDA torna esta oportunidade disponível para fumantes adultos americanos. O anúncio da FDA é um marco histórico”.

Brasil: regulamentação da Anvisa proíbe 

Ainda de acordo com a marca de cigarros, por conta de uma regulamentação da Anvisa de 10 anos atrás essas novas tecnologias ainda não estão disponíveis para os adultos fumantes brasileiros. De acordo com o Diretor de Assuntos Externos da Philip Morris, Fernando Vieira, “diferente dos Estados Unidos, a regulamentação no Brasil impede a avaliação clara e objetiva dessas novas tecnologias que já são realidade em praticamente toda a Europa, Ásia e agora nos Estados Unidos”.

Segundo ele, a evolução desse tema na Anvisa tem ocorrido de maneira muito tímida e tem dado espaço cada vez mais à desinformação. “Sem opções, esse consumidor fica aprisionado ao cigarro combustível, que é a pior forma de consumir nicotina”, ressalta.

De cada 100 casos de câncer, 40 estão associados ao cigarro

Segundo o oncologista clínico do Grupo SOnHe, Vinícius Conceição, de cada 100 casos de câncer, cerca de 40 estão associados ao cigarro. “Os pacientes que fumam têm em média 14 anos menos de expectativa de vida em relação a quem não fuma”.

De acordo com o médico, os tumores associados ao cigarro tendem a ser mais agressivos, devido à biologia associada ao surgimento do câncer nessa situação. “São mais de 7.000 compostos químicos em um único cigarro, dentre os quais, pelo menos 250 são reconhecidamente prejudiciais e mais de 50 são sabidamente cancerígenos. Essas substâncias causam danos no DNA da célula normal, produzindo muitas mutações genéticas. Quanto maior o número de mutações, pior tende a ser o tumor e menor a sua resposta ao tratamento”, explica.

Está cada vez mais claro que os tabagistas passivos (aqueles que não fumam, mas convivem de perto com quem fuma) também têm mais chances de desenvolver doenças cardíacas, pulmonares e câncer de pulmão, cabeça e pescoço, esôfago e bexiga. Portanto, se a população mundial parasse de fumar, um terço dos casos de câncer seriam evitados”, afirma.

Médico critica intenção do governo de baixar impostos sobre cigarro

Para o médico, em poucos anos o câncer se tornará a primeira maior causa de morte no mundo. “Bilhões em dinheiro são gastos anualmente em tratamentos relacionados ao tabaco e milhões de pais, de mães e de filhos têm suas vidas ceifadas por esse que é o grande mal dos últimos séculos.

Além disso, a proposta do atual governo em andamento para reduzir o imposto sobre cigarros seria uma ‘tragédia anunciada’. “Além decontribuir para o aumento do número de fumantes, acarretaria mais custos financeiros para a saúde e de vidas”, alerta o médico.

Fontes: Grupo SOnHe – Sasse Oncologia e Hematologia e Phillip Morris, com Redação

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