Como o câncer de mama impacta a saúde emocional

Psicanalista Andréa Ladislau analisa os impactos psicológicos do diagnóstico de câncer de mama entre homens e mulheres

Por Andréa Ladislau*

Recebida a notícia de um diagnóstico de câncer de mama. E agora? Nessa hora todo tipo de pensamento ou sensação invade o nosso ser. Dúvidas sem respostas, impotência, medo em assumir a doença para amigos e familiares, incertezas em relação ao nosso futuro, tipos e formas de tratamento. Enfim, brota uma enxurrada de questões e sentimentos devastadores, ao mesmo tempo em que os primeiros passos para o tratamento devem ser dados.

É muito comum que, após receber essa confirmação, mulheres ou homens (sim, homens também podem ter a doença, já que possuem tecido mamário, local onde se origina a neoplasia) demonstrarem grande ansiedade, angústia e pessimismo em relação ao tratamento. O diagnóstico traz ainda instabilidade emocional nos relacionamentos, alterações de sono, sensação de esgotamento, dúvidas existenciais relacionadas a morte e sentimentos de vulnerabilidade.

Estas são as manifestações emocionais mais comuns instaladas nestes doentes. Mas fica claro também que alguns destes sintomas podem prevalecer mesmo após o tratamento, já que o fantasma do retorno da doença insiste em rondar os pensamentos. O choque inicial diante da constatação de uma doença é natural, principalmente no caso de câncer, seja de mama ou não.

Grande parte dos pacientes é levada a uma completa desestruturação emocional – não raro o excesso de ansiedade, grande nervosismo, preocupação e inquietação em demasia. Podem apresentar características de alterações severas de humor, choros constantes, somados a uma sensação de impotência, configurando um quadro típico de depressão.

Também podemos observar alguns comportamentos de alteração de conduta, levando a confrontos com os mais próximos e até desrespeito às regras sociais e morais. Em outros casos, o paciente diagnosticado pode buscar o isolamento social, ficando mais retraído com manifestações claras de dificuldades interativas.

Os questionamentos sobre a razão de estar doente, a culpa, a incerteza de cura e o medo de tornar-se um peso para a família contribuem para a construção do quadro de ansiedade depressiva (tristeza, sensação de cansaço, perda da esperança).

Por isso, é muito importante avaliar atentamente estes sintomas, pois podem ser de grande intensidade a ponto de influenciar na qualidade de vida do paciente e até mesmo na adequação e aceitação do tratamento clínico adequado para a anomalia diagnosticada.

Prevenir é um ato de amor próprio

Portanto, aproveitando o momento em que celebramos o Outubro Rosa – mês da conscientização para prevenção deste tipo de câncer, lembramos que: PREVENIR é um ato de AMOR com você, com seu corpo e com todos que te amam. O Câncer tem cura. Entre de peito nessa luta e previna-se durante todo o ano contra esse problema.

Lembre-se: não só em outubro devemos lembrar de nos cuidar, pois essa doença não escolhe mês do ano para se manifestar, mas você pode tornar os seus 365 dias melhores através da busca de informação, do autoconhecimento e da prevenção.

Além disso, não se esqueça de também de cuidar da sua saúde mental, pois se a mente e o gerenciamento de suas emoções estiverem em equilíbrio, certamente você poderá aumentar sua imunidade, melhorar suas taxas hormonais e, assim, ter uma melhor qualidade de vida.

Reforçamos que o diagnóstico precoce é – e será sempre – o maior aliado para um tratamento eficaz. Quanto mais cedo o câncer for identificado, mas rápido se pode, com o tratamento medicamentoso aliado a outras posturas, impedir que o tumor alcance outros órgãos. Se detectado em fases iniciais, maiores as chances de tratamento e solução.

Quanto maior a informação e conscientização, maiores as chances de cura e de se ter uma vida mais equilibrada para conseguir passar pelo período de tratamento do câncer. Enfim, o que se sabe é que, independentemente da alteração emocional, a melhor conduta para o paciente é seguir a orientação de seu médico.

Desequilíbrio emocional pode afetar imunidade

Em relação à abordagem dos sintomas emocionais, existem profissionais – a exemplo dos psicanalistas e psicólogos especializados neste cuidado. O mais importante é encontrar seu estado de equilíbrio e bem-estar.

Ser feliz é o que todos querem e o cuidado com a saúde mental não é uma bobagem – é crucial e extremamente merecido. Se não estiver emocionalmente equilibrado, pesquisas apontam que taxas relativas à imunidade podem ser prejudicadas e, além disso, o autocontrole e autoconhecimento são fortes aliados nesta luta contra o câncer.

A cura existe e é possível. O tratamento deve ser seguido e acompanhado pelo oncologista, assim como o seu psicológico precisa estar preparado para o fortalecimento necessário que o corpo solicita. Não desista. O diagnóstico traz sofrimento, mas com o autocuidado e amor próprio você poderá escrever uma nova história vitoriosa.

Andrea Ladislau, doutora em Psicanálise Contemporânea (Foto: Pedro Costa)

*Andrea Ladislau é graduada em Letras e Administração de Empresas, pós-graduada em Administração Hospitalar e Psicanálise e doutora em Psicanálise Contemporânea. Possui especialização em Psicopedagogia e Inclusão Digital. É palestrante, membro da Academia Fluminense de Letras e escreve para diversos veículos. Na pandemia, criou no Whatsapp o grupo Reflexões Positivas, para apoio emocional de pessoas do Brasil inteiro.

Contatos: Instagram: @dra.andrealadislau / Telefone: (21) 96804-9353 (Whatsapp)

Andrea Ladislau colabora para a seção Palavra de Especialista uma vez por mês. Dúvidas e sugestões para palavradeespecialista@vidaeacao.com.br.

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