Febre amarela: é importante se vacinar antes da chegada do verão

Alerta é do Ministério da Saúde, que teme novo surto em dezembro nas regiões metropolitanas do Rio, São Paulo e Minas Gerais. Cidade do Rio anuncia que cobertura vacinal já chega a 84% da população

Febre Amarela- vacinacao Vacina é a única forma efetiva de prevenção da doença (Foto Divulgação SES)

Você que está lendo este post, já procurou um posto de saúde para se vacinar contra a febre amarela? Então corra logo. A população que mora em áreas recomendadas, como a Região Metropolitana do Rio de Janeiro, deve buscar a vacinação antes do início do verão, período de maior risco de transmissão da doença, que tem alta letalidade, em torno de 40%.

O alerta é do Ministério da Saúde já que áreas recém-afetadas e com grande contingente populacional, como as regiões metropolitanas do Rio de Janeiro, Minas Gerais e São Paulo, ainda possuem um quantitativo elevado de pessoas não vacinadas, ou seja, que estão sob risco de adoecer.

Precisamos garantir que, principalmente nos municípios do Rio de Janeiro e de São Paulo, onde aconteceram muitos casos nos dois últimos anos, haja uma vacinação preventiva antecipando ao período de verão, quando tradicionalmente há uma maior circulação do vírus”, explica Carla Domingues, coordenadora do Programa Nacional de Imunizações.

Cidade do Rio anuncia que já vacinou 84% da população

O município do Rio de Janeiro anunciou nesta quarta-feira (14) que bateu a marca de 84% do público-alvo vacinado contra a febre amarela. Somente neste ano, 1,49 milhão de doses da vacina foram aplicadas na capital, segundo a Secretaria Municipal de Saúde (SMS). A cobertura vacinal, no entanto, deve ser de, no mínimo, 95% da população, de acordo com o Ministério da Saúde.

De acordo com a SMS, somando-se à população imunizada nos anos anteriores, já são 4,54 milhões de pessoas protegidas contra a doença, o que dá uma cobertura de 84% da população alvo da vacina – pessoas de nove meses a 59 anos de idade.

A vacina da febre amarela é ofertada em 232 nas unidades da rede de Atenção Primária (Clínicas da Família e Centros Municipais de Saúde) e é a melhor medida de prevenção contra a doença. Mas, mesmo com todas as salas de vacina abastecidas, a procura da população está baixa

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30 milhões de doses distribuídas este ano

Desde o surto registrado em dezembro de 2017, a vacinação para febre amarela foi ampliada para 4.469 municípios, segundo o Ministério da Saúde. Isso se deu, a partir da inclusão de 940 cidades localizadas principalmente nas proximidades das capitais e áreas metropolitanas das regiões Sudeste e Sul do Brasil, onde houve evidência da circulação viral.

A vacina contra febre amarela é ofertada no Calendário Nacional de Vacinação e distribuída mensalmente aos estados. Neste ano já foram enviados, para todo o país, 30 milhões de doses da vacina de febre amarela. Apesar dessa disponibilidade, há uma baixa procura da população pela vacinação. As pessoas devem tomar a dose pelo menos 10 dias antes do deslocamento para as áreas recomendadas.

A necessidade dessa vacinação preventiva é fundamental na febre amarela porque se a maioria da população dessas áreas recomendadas estiver vacinada, quando houver o pico da doença em dezembro, a necessidade será apenas de um bloqueio vacinal e não veremos correria e enormes filas em busca da vacina”, afirma Carla Domingues.

O público-alvo para vacinação são pessoas a partir de nove meses de idade, que não tenham comprovação de vacinação. “Convocamos a todos da faixa etária das áreas recomendadas a buscarem as salas de vacinação. Não adianta vacinar um grupo e outro não, já que a febre amarela é uma doença transmitida por um mosquito infectado e ele pode picar qualquer pessoa. Não devemos esperar pelo aparecimento da doença”, enfatiza Carla Domingues.

Desde abril de 2017, o Brasil adota o esquema de dose única da vacina, conforme recomendação da Organização Mundial de Saúde, respaldada em estudos que asseguram que uma dose é suficiente para a proteção por toda a vida.

NÚMEROS FEBRE AMARELA

Segundo o novo boletim epidemiológico, de 1º de julho a 8 de novembro deste ano, foram notificados 271 casos humanos suspeitos de febre amarela, dos quais 150 foram descartados, 120 permanecem em investigação e 1 foi confirmado. Também neste período, foram notificadas 1.079 epizootias em primatas não humanos. O novo período de monitoramento é de 1º de julho de 2018 a 30 de junho de 2019. Os dados evidenciam a manutenção da circulação viral no período de baixa ocorrência (junho a setembro), quando as baixas temperaturas e pluviosidade geralmente implicam em condições menos favoráveis à transmissão.

O boletim ainda traz a confirmação do primeiro óbito por febre amarela no segundo semestre deste ano. O caso foi registrado em São Paulo, com local provável de infecção no município de Caraguatatuba, onde casos em macacos (epizootias) haviam sido detectados meses antes da ocorrência do caso. Neste novo período de monitoramento também foram registradas epizootias em macacos nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Mato Grosso, onde ações de vigilância estão em curso.

Diante disso, o Ministério da Saúde alerta a rede de serviços de saúde de vigilância epidemiológica e ambiental para antecipar a resposta e prevenir a ocorrência da doença em humanos. Entre as orientações para a intensificação da vigilância, estão: avaliar as coberturas vacinais nos municípios da Área com recomendação de Vacina (ACRV) e vacinar pessoas a partir de 9 meses de idade antes do período sazonal da doença; orientar viajantes com destino à ACRV sobre a importância da vacinação preventiva (pelo menos 10 dias antes da viagem), sobretudo aqueles que pretendem realizar atividades em áreas silvestres ou rurais; sensibilizar instituições e profissionais dos setores de saúde e extra saúde (meio ambiente, agricultura/pecuária, entre outros) sobre a importância da notificação e investigação da morte em macacos.

No período de monitoramento anterior (de 1º de julho de 2017 a 30 de junho de 2018), foram confirmados 1.376 casos de febre amarela no país e 483 óbitos. Ao todo, foram notificados, neste período, 7.518 casos suspeitos, sendo que 5.364 foram descartados e 778 continuam em investigação. Desde o início do ano (de 1º de janeiro a 8 de novembro), foram confirmados 1.311 casos de febre amarela no país e 450 óbitos. No mesmo período do ano passado, foram confimados 736 casos e 230 mortes.

Fonte: Agência Saúde e SMS-RJ, com Redação

1 Comment
  1. […] com ações de rotina durante todo o ano. A pasta lembra que o mosquito transmite a forma urbana de febre amarela, que não tem casos registrados no Brasil desde 1942. Os agentes de Vigilância em Saúde realizam […]

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