Morre menina atropelada por carro alegórico na Sapucaí

Raquel, de 11 anos, foi imprensada contra poste por carro alegórico da Em Cima da Hora na dispersão. Após ter uma perna amputada, ela não resistiu

Raquel, de 11 anos, conversava com amiguinhas quando foi imprensada contra poste pelo carro alegórico, contou a tia (Reprodução de internet)

“Carnaval foi triste pra mim. Então sua voz emudeceu. A escola não sambou. E o morro não desceu. Rasguei a fantasia e chorei. Chorei por não poder brincar. Tristeza e dor no carnaval”. A letra de ‘Carnaval triste’, de Jorge BenJor, ilustra a dor de uma família para a qual o Carnaval acabou antes da hora – e de muitos cariocas e fluminenses que, certamente, estão chorando junto. Morreu no início da tarde desta sexta-feira (22) Raquel Antunes da Silva, de 11 anos, que foi atropelada por um carro alegórico enquanto brincava na primeira noite de desfiles do Carnaval fora de época no Rio de Janeiro.

“A direção do Hospital Municipal Souza Aguiar comunica, com pesar, o falecimento da menina Raquel Antunes da Silva, às 12h10min de hoje”, disse a instituição em nota. A menina estava internada ali em estado grave desde a noite de quarta-feira, quando passou por uma cirurgia de 8 horas e teve uma das pernas amputada – a outra também foi esmagada e ela sofreu uma hemorragia interna, que ocasionou a morte.

O acidente – visto como uma tragédia anunciada por especialista ouvido pelo ViDA & Ação na quinta-feira – ocorreu na área de dispersão, logo após o desfile da primeira escola a se apresentar pela Série Ouro, a segunda divisão do Carnaval carioca. Raquel subiu em um dos carros alegóricos que estava parado. Quando ele se mexeu, na Rua Frei Caneca, já fora do Sambódromo, as pernas dela ficaram presas entre o carro e um poste.

Relato da tia era que menina foi atropelada

Após o acidente testemunhas relataram à GloboNews que a criança estava com a mãe em uma lanchonete ao redor do Sambódromo e se separou dela para ver a dispersão do desfile. Com a queda da criança na subida da Frei Caneca, o desfile chegou a ser interrompido para que uma perícia fosse realizada no local, gerando atraso de cerca de uma hora no desfile das demais escolas.

“Raquel estava com umas amiguinhas conversando enquanto a mãe lanchava. Ela estava encostada em um poste quando o carro alegórico passou e atropelou. Foi uma correria, uma gritaria, tinham muitas crianças perto. Carnaval, né?”, explicou Rosana Silva, tia da vítima, ao Metrópoles. A mãe da criança, Marcela Antunes, passou mal, está grávida de três meses.

A Polícia Civil investiga o caso. Imagens de câmeras de segurança foram coletadas e estão sendo analisadas. A escola de samba Em Cima da Hora também afirmou que está apurando as circunstâncias do acidente. A Polícia Civil informou, por meio da assessoria de imprensa, que vai ouvir ainda hoje o presidente administrativo da escol. O carro alegórico foi apreendido.

Já o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro acionou a agremiação e a Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa), responsável pela administração do Sambódromo. E pediu que os carros alegóricos sejam escoltados por seguranças no momento da dispersão, já fora do Sambódromo, quando é comum que o público no entorno entre em contato com as alegorias.

Carro alegórico que atropelou menina foi apreendido para perícia da Polícia Civil (Foto: Tomaz Silva / Agência Brasil)

Prefeito e Ligas se solidarizam com a família

Pelo Twitter, o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, prestou solidariedade aos familiares de Raquel: “A morte da pequena Raquel nos deixa um grande sentimento de tristeza. Vamos acompanhar de perto a investigação policial que apura as responsabilidades e estamos, através de nossa Secretaria de Assistência, dando apoio aos familiares. Minha solidariedade neste momento de dor”.

Em nota distribuída à imprensa, o governador do Rio, Claudio Castro, também se manifestou. “Manifesto minha solidariedade aos parentes da pequena Raquel, que morreu hoje após acidente com carro alegórico. Desde ontem, o Governo do Rio, por meio da Seavit, está prestando assistência psicológica aos familiares da menina. Vamos seguir acompanhando o caso e daremos prioridade às investigações para que todas as responsabilidades sejam apuradas o mais rápido possível”.

A Liesa e a Lierj (Liga das Escolas de Samba do Rio de Janeiro), responsável pelos desfiles da Série Ouro (antigo Grupo de Acesso) divulgaram uma nota conjunta lamentando o acidente. As entidades informaram que prestam solidariedade à família de Raquel. Veja abaixo a nota na íntegra:

“As ligas das escolas de samba do Rio de Janeiro estão abaladas e se solidarizam com a família de Raquel Antunes. A jovem menor subiu no carro alegórico fora do Sambódromo, na rua Frei Caneca, no Estácio, após deixar a área de dispersão. Prontamente, em menos de dois minutos, ela foi socorrida e levada ao Hospital Sousa Aguiar, onde foi submetida a cirurgias. Equipes das ligas e da escola acompanham o caso na unidade hospitalar ao lado da família  desde o primeiro instante e também colaboram com as autoridades. Neste momento, é preciso esperar a apuração da perícia e autoridades para novos esclarecimentos”.

Com informações da Agência Brasil, Uol e Metrópoles

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