Mulher morre no Rio após passar por hidrolipo

Diarista pagou R$ 5 mil a médico colombiano para retirar gordura das costas e abdômen. Morreu no estacionamento da clínica, que foi interditada

Maria Jandimar Rodrigues, de 39 anos, e o médico Brad Alberto Castrillón Sanmiguel, que é colombiano (Reprodução de internet)

A Polícia Civil do Rio de Janeiro investiga a morte da diarista Maria Jandimar Rodrigues, de 39 anos, ocorrida após passar por uma hidrolipo, cirurgia plástica para remoção de gordura na região das costas e barriga. Ela pagou R$ 5 mil pelo procedimento, que foi feito em duas etapas, nos dias 10 e 17 de dezembro. Os parentes acusam de negligência o médico Brad Alberto Castrillón Sanmiguel, que é colombiano e foi responsável pelo procedimento.

A clínica de estética, que funciona no Carioca Offices, ao lado do Carioca Shopping, em Vicente de Carvalho, foi interditada até a realização da perícia. Segundo familiares, o médico tentou fugir, mas foi impedido por um dos seguranças do shopping. Levado para a delegacia, ele se manteve em silêncio e foi liberado. O corpo da paciente foi sepultado na manhã deste domingo (19), no Cemitério de Inhaúma.

Maria Jandimar havia passado mal uma semana antes quando fez a primeira parte do procedimento para retirar gordura das costas. Em vídeos feitos no dia 10 deste mês, ela aparece gritando e se debatendo. A diarista retornou à clínica para a segunda parte do procedimento na última sexta-feira (17). Segundo a Polícia Militar, ela foi encontrada já morta na calçada que fica dentro do estacionamento do shopping.

A família contou que Maria fez todos os exames exigidos antes da hidrolipo e afirmou que ela não tinha problemas de saúde. A polícia afirmou que o médico não possui passagens e que a clínica estava apta a fazer o procedimento. Ele também apresentou um certificado de cirurgião plástico, que é quem tem autorização para fazer a hidrolipo. Na 27ª DP (Vicente de Carvalho), o médico permaneceu em silêncio e foi liberado após o caso ser registrado.

Vaidosa, vítima seguiu dicas de amigas

Familiares disseram que Maria era uma pessoa vaidosa e chegou até o médico através de indicação de amigas. Ela pagou R$ 5 mil pelo procedimento, a ser realizado em duas etapas.

“Ela era trabalhadora. Qualquer coisa que precisasse, não só eu, mas pelas filhas, todo mundo. Queremos justiça. Que esse médico pague, não só pela minha esposa, mas por tudo que ele tá fazendo aí”, comentou o viúvo Wagner Vinícius de Moraes Carvalho.

Em nota, o Carioca Shopping informou que “se solidariza com a família da vítima e informa que está colaborando com autoridades”. Disse ainda que não tem relação com o prédio comercial que fica ao lado.

‘Tô sentindo muita dor, mas já marquei e vou lá pra terminar’

No Instituto Médico Legal (IML), para fazer o reconhecimento do corpo, Wagner contou que Maria Jandimar teve uma convulsão e ficou desacordada após a segunda etapa da operação. Na primeira, realizada uma semana antes, segundo Wagner, Maria também teve uma convulsão e desmaiou.

“Ela falou ‘Wagner, tô sentindo muita dor, mas eu já marquei, eu vou ter que ir lá pra terminar’. Eu acho que no primeiro procedimento já afetou alguma coisa nas costas dela pra acontecer isso, porque a recepcionista falou que no máximo era dias e ela já estaria boa, podendo trabalhar normal. Não ia ter nada e foi a semana toda”, contou Wagner.

Diarista morta após fazer uma hidrolipo será enterrada neste domingo (19)

 

Áudios revelam complicações na cirurgia

Logo após a primeira etapa do procedimento, Maria trocou mensagens com uma mulher que trabalha na clínica. Ela contou sobre problemas na recuperação e perguntou se seria normal ter sangue vazando no local da cirurgia.
“A minha pressão deve estar um pouquinho baixa porque eu já vomitei duas vezes depois que cheguei em casa. Fora uns negócios que está vazando, mas é normal, né? Esse sangue é normal, né? Tá vazando até por cima. É normal isso?”, questionou Maria.
As mensagens relatam o momento em que ela passou mal e Maria revela que não tinha consciência de ter ficado tão agitada.  “Caramba! Não lembrava de ter ficado assim”, disse ela. “Isso foi o início, você ainda piorou depois disso aí. Foi difícil manter você na maca. Você começou a gritar, a gente achou que você estava sentindo alguma coisa”, responde a funcionária.
“Aí o doutor começou a te perguntar: ‘O que houve, Maria, está sentindo dor?’ A gente já botou anestesia e tudo mais. E você continuava gritando, gritando, gritando. Aí até que a gente viu que você não respondia quando a gente falava com você”, disse a funcionária.
A diarista quis saber se o fato de ter passado mal na primeira etapa do procedimento a impediria de fazer a segunda etapa, na região do abdômen, marcada para o dia 17. “Mas e aí, como vou fazer a frente?”, diz Maria, na troca de mensagens. “Vai fazer, mas não vai conseguir tomar o mesmo remédio. Terá que ser outro”, respondeu a funcionária.

Outra vítima passou 16 dias em CTI: ‘Pesadelo’

À Globonews, outra paciente que se submeteu a um procedimento também com o médico colombiano Brad Alberto Castrillion contou que teve problemas após o procedimento. A promoter Daiana França fez uma hidrolipo na barriga e um preenchimento no bumbum, no dia 4 de novembro.

“Começou o verdadeiro pesadelo: 39 de febre, foi infeccionando, infeccionando, ele não queria que eu fosse para o hospital, acho que por medo”, contou Daiana.

Vendo seu quadro de saúde se agravar, a promoter foi para o Hospital Albert Schweitzer, em Realengo, na Zona Oeste do Rio, onde ficou internada durante 23 dias, dos quais 16 em um Centro de Tratamento Intensivo (CTI).

“O meu estado era gravíssimo, eu tinha pus por toda parte do corpo, fui desenganada, minha mãe passava mal, sabe…  Quando eu vi a morte dessa moça ontem (sexta, 17), eu pensei que ela não teve a mesma sorte que eu. É uma família que chora, que poderia ter sido eu agora”, diz Daiana.

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