Rio de Janeiro quer ser o 1º estado do país a cumprir Acordo de Paris

Para comemorar o Dia Mundial de Meio Ambiente, Governo do RJ reabre Parque da Pedra Branca, na Zona Oeste, com plantio de mudas

Fechado desde março, Núcleo Piraquara do Parque Estadual da Pedra Branca, na Zona Oeste do Rio, uma das maiores florestas urbanas do mundo. foi reaberto neste Dia Mundial do Meio Ambiente (Foto: Luis Alvarenga)

O Rio de Janeiro quer se tornar o primeiro estado do país a cumprir o Acordo de Paris, o tratado mundial para redução do aquecimento global, ao qual o presidente Jair Bolsonaro – aliado do atual atual governador Claudio Castro – tanto já criticou, por representar uma “ameaça ao desenvolvimento econômico”, na sua opinião. O anúncio foi feito neste sábado (5), Dia Mundial do Meio Ambiente com o lançamento do projeto ‘Florestas do Amanhã’.

Com a iniciativa, o estado vai reflorestar um total 1,1 mil hectares de Mata Atlântica com o plantio de 2,5 milhões de mudas de espécies endêmicas do bioma. Hoje, o Governo do RJ é responsável pela conservação de quase um terço das áreas verdes no estado. Atualmente, o Estado do Rio tem 1,3 milhão de hectares de cobertura vegetal. Desses, 477 mil são áreas protegidas do governo estadual.

Também neste sábado (5), no Museu do Amanhã, o prefeito do Rio, Eduardo Paes, anunciou o Plano de Desenvolvimento Sustentável e Ação Climática (PDS) do município, que prevê uma série de ações para os próximos 30 anos. Uma das principais metas do “pacote climático” é reduzir em 20% a emissão de gases do efeito estufa até 2030, além de estabelecer a neutralização das emissões até 2050.

Entre uma série de ações, o programa promete ampliar para 90% a cobertura da rede coletora de esgoto com tratamento; alcançar 40% de empregos verdes formais; atender 100% dos bairros por coleta seletiva e não ter nenhuma pessoa morando em áreas de alto risco de inundações e movimentos de massa até 2030. (Confira a relação das principais metas no fim do texto)

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Rio+30 Cidades vai comemorar 30 anos em março de 2022

Além de lançar do Plano de Desenvolvimento Sustentável , documento que norteará as metas ambientais da administração municipal, a Prefeitura do Rio anunciou a criação do Fórum de Governança Climática e a realização da Rio+30 Cidades, em março de 2022. O evento vai celebrar os 30 anos da realização da Conferência Rio 92 – em 2012, a cidade também foi palco da Rio+20 – e reunirá municípios para discutir o papel dos poderes no combate às mudanças climáticas mundiais.

Prefeito diz que o Rio vai recuperar o protagonismo ambiental (Beth Santos/Prefeitura do Rio)

Essa agenda é muito importante para o Rio, que sempre teve um protagonismo ambiental. Sempre fomos um farol de referência em diversos temas e devemos liderar as discussões das mudanças climáticas. Essas metas são possíveis de serem cumpridas, a nossa responsabilidade só aumenta porque a questão ambiental é muito séria e grave”, declarou o prefeito Eduardo Paes. “O Rio vai se consolidar como uma marca sustentável, ambientalmente correta e que enfrenta os grandes desafios da humanidade“, completou.

Também foi lançado o Fórum de Governança Climática, uma organização inédita da cidade que inclui a sociedade civil na governança climática da cidade. Com atribuições muito claras e diversidade de participantes, o Fórum deixa claro que o único caminho para o enfrentamento das mudanças climáticas é o engajamento e a participação da academia, indústria e lideranças sociais.

O Plano de Desenvolvimento Sustentável e Ação Climática (PDS) é coordenado pela Secretaria de Fazenda e Planejamento, com o apoio de outros órgãos municipais, como a Secretaria de Meio Ambiente, e de outras esferas, como da ONU, C40, Governo do Reino Unido, UFRJ, Unicef, República.org e iCS. O PDS parte de documentos importantes – como o VISÃO 500 e planos setoriais – e de compromissos internacionais como a Agenda 2030 e o Acordo de Paris.

Reabertura de área de lazer no Parque da Pedra Branca

Para celebrar a data, o Governo do Estado reinaugurou o núcleo Piraquara do Parque Estadual da Pedra Branca, na Zona Oeste do Rio, uma das maiores florestas urbanas do mundo. Fechada desde março do ano passado em virtude de uma forte chuva, a área de lazer passou por uma revitalização. Castro plantou a primeira muda do projeto, ao lado do secretário estadual do Ambiente, Thiago Pampolha, e do presidente do Inea (Instituto Estadual do Ambiente), Philipe Campello.

Governador Claudio Castor e secretário do Ambiente Thiago Pampolha (Foto: Luis Alvarenga)

O Parque Estadual da Pedra Branca abrange 11 bairros da Zona Oeste da cidade do Rio de Janeiro e é uma das unidades de conservação ambiental do Inea, com cerca de 12.500 hectares de extensão. Nela, é possível encontrar uma fauna que reúne, entre outros animais, onça parda, jaguatirica, preguiças, tamanduás, tatus, tucanos e cotias.

Os visitantes do núcleo Piraquara vão encontrar uma série de melhorias: dois conjuntos de equipamentos para ginástica, novos brinquedos, banheiros masculino e feminino, uma quadra de vôlei com arquibancada, bancos, mesas para piquenique e uma praça de banho no Rio Piraquara. Além disso, os muros de pedra, guarda-corpos, grades e proteção foram trocados. Houve ainda drenagem da área urbanizada.

Moradora da Zona Oeste do Rio, Maria Caetano dos Santos, de 58 anos, contou ter o costume de fazer caminhadas ao ar livre e disse estar feliz com a revitalização do local. “A cachoeira aqui é maravilhosa, e agora, com essa revitalização, vai ficar melhor ainda. Esses aparelhos de ginástica novos também são muito bons para nossa qualidade de vida, ótimos para exercícios ao ar livre”, disse.

Durante o evento, houve atividades para deixar a população mais próxima da natureza, como uma oficina de kokedama, que são os jardins suspensos de musgos criados pelos japoneses. “É uma nova alternativa em jardinagem totalmente sustentável. A nossa preferência hoje é fazer com espécies que são invasoras do parque. Em vez de cortar e matar a plantinha, você pode transformar em uma linda decoração para dentro de casa e super-fácil de cuidar”, disse Francisco Carrera, coordenador de biodiversidade da Secretaria de Estado de Ambiente.

Paciência ganha mais de 250 mudas de árvores

Também nas comemorações da Semana do Meio Ambiente, o bairro de Paciência, na Zona Oeste do Rio, ganhou 255 novas mudas de árvores em ações de plantios urbanos promovidas pela Fundação Parques e Jardins (FPJ). Já foram plantadas, nas principais praças do bairro, mais de 255 novas mudas de árvores nativas da Mata Atlântica, como Pau Ferro, Pau Brasil, Ipê Branco, Ipê Amarelo e Escumilha, além de mudas de árvores frutíferas como o Abiu, Manga, Grumixama, Nêspera, Ingá e Araçá.

A programação contou com o apoio de moradores, lideranças comunitárias e de representantes das associações de bairros daquela região. A iniciativa atende às diretrizes do Plano Diretor de Arborização Urbana (PDAU) que contempla ações para o aumento e a qualificação da arborização urbana na cidade. A FPJ também lançará na terça-feira, dia 8, a primeira Fábrica de Árvores do Rio. O equipamento será construído em Guaratiba, com capacidade para produção de 10 mil mudas por ano, resultado de uma parceria entre FPJ, Secretaria de Meio Ambiente e empresa Farm.

Plantio de mudas na Ilha do Governador

Em celebração ao Dia Mundial do Meio Ambiente, comemorado neste sábado (5), a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) realizou ação voltada à questão ambiental e educacional alinhada com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). A iniciativa promoveu o plantio de mudas de naobá no corredor esportivo do Moneró, no Bosque do Seu Hilário, na Ilha do Governador. Na ação, foram plantadas também mudas de Ipê e Pau Brasil, totalizando 23 árvores.

A ação contou com a participação de crianças de escolas da região e faz parte do projeto Alerj Sustentável, que desenvolve práticas legislativas voltadas à preservação do meio ambiente. No Bosque, além dos Baobás, árvores africanas que podem viver mil anos, quem caminha por ali pode encontrar também Ipês de jardim, Pau Brasil, Orquídeas e pés de frutas .

A natureza pra mim é a solução da vida, eu faço um trabalho todo fim de semana aqui, através do qual planto com as crianças 98 espécies de plantas, tanto frutíferas quanto ornamentais e medicamentosas”, disse Seu Hilário, responsável pelo local e defensor incondicional da natureza.

A ação teve ainda uma feira de artesanato com material reciclado oferecido pela Associação de Mulheres da Ilha do Governador (Amuig). Coordenadora de um grupo de mulheres que utiliza insumos que seriam descartados no lixo para a produção de objetos, Carla Pereira disse que elas buscam conscientizar as pessoas de que nada é lixo, tudo se transforma, se reusa, se recicla. “Isso gera também o empoderamento feminino e mais responsabilidade socioambiental, e estamos aumentando a renda dessas mulheres”, contou.

A atividade contou com a parceria do Projeto Engenhando a Cidade, Projeto Verde Ilha, Secretaria Estadual do Ambiente e Sustentabilidade, INEA, subprefeitura da Ilha do Governador, projeto Replantando Vida da Cedae, Baía Viva, e Instituto Ambiental Civil.

Museu no Rio – Neste sábado (5), Dia do Meio Ambiente, o Museu Histórico da Cidade do Rio de Janeiro (MHCRJ), na Gávea, Zona Sul do Rio, oferece, em sua área externa, atividades gratuitas como forma de reforçar a importância de ações que reflitam sobre o tema e a sustentabilidade. A programação faz parte do projeto Espaço Vivo, executado de janeiro a março e retomado no mês de junho, na área externa do MHCRJ e no Parque da Cidade, também na Gávea. A realização é da Associação de Amigos do Museu.

Instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU), o Dia Mundial do Meio Ambiente, celebrado todo 5 de junho, surgiu durante a Conferência de Estocolmo, em 1972. Tem como objetivo chamar a atenção de todas as esferas da população para os problemas ambientais e para a importância da preservação dos recursos naturais, que até então eram considerados, por muitos, inesgotáveis.

PACOTE CLIMÁTICO DO RIO

Principais metas do Plano de Desenvolvimento Sustentável

Até 2030:

  • Alcançar 40% de empregos verdes formais na cidade;
  • Reduzir em 20% as emissões de gases de efeito estufa em relação à 2017;
  • Reduzir 50% do consumo de eletricidade na iluminação pública até 2030, por meio de tecnologia LED;
  • Ampliar as rotas de coleta seletiva para 100% dos bairros;
  • Investimentos mínimos de 350 milhões de reais ao ano para o desenvolvimento sustentável da cidade e a implantação de projetos até 2030;
  • Construir soluções baseadas na natureza para os desafios do espaço urbano: revitalização de 300km de vias e espaços públicos, com drenagem urbana sustentável e ampla arborização;
  • Nenhuma pessoa morando em áreas de alto risco de inundações e movimentos de massa nas áreas mapeadas e identificadas pela Prefeitura do Rio;
  • Reduzir em 50% o déficit e a inadequação habitacional na Cidade do Rio de Janeiro;
  • Duplicar a produção de alimentos por meio do programa Hortas Cariocas, garantindo segurança alimentar, renda verde e educação ambiental nos territórios que mais precisam;
  • Reduzir em 50% o volume de perda e desperdício de alimentos até 2030;
  • Aumentar em 20% a área destinada à produção agrícola;
  • Alcançar 80% do encaminhamento de resíduos orgânicos de alimentos, produzidos por atividades de grandes geradores para centrais de valorização (compostagem e/ou biodigestão);
  • Legalizar 100% das cooperativas de reciclagem integrando agentes à economia circular;
  • Aumentar para 90% a taxa de cobertura da rede coletora de esgoto com tratamento até 2030;
  • Manter os 3.400 hectares reflorestados e consolidar mais 1.206 hectares de Mata Atlântica no Rio de Janeiro;
  • Elaborar plano de ação para 100% das espécies da fauna e flora ameaçadas de extinção no município, visando adoção de estratégias para mitigação ou supressão das ameaças de perda da diversidade biológica terrestre e marinha;

Até 2050:

  • Neutralizar as emissões de gases do efeito estufa;
  • Eletrificar 100% da frota de ônibus municipal.

Conheça o Plano de Desenvolvimento Sustentável e Ação Climática

Com Assessorias e Agências

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