Reumatismo abrange 120 doenças e atinge 15 milhões de brasileiros

Apesar disso, há no Brasil pouco mais de 2,7 mil médicos especializados em tratar doenças reumatológicas que causam dor e incapacidade física

O mês de outubro celebra uma variedade de datas importantes para a Medicina, como o Dia do Médico (18), da Conscientização e Prevenção ao Câncer de Mama (19) e da Artrite Reumatoide (12). Em 30 de outubro, é comemorado o Dia Nacional de Combate e Luta contra o Reumatismo, com intuito de informar, conscientizar e contribuir para a saúde pública.

Mas muitas pessoas nem imaginam quantas patologias estão envolvidas na terminologia “reumatismo” e suas consequências. São mais de 120 doenças que reumáticas, que podem afetar crianças, jovens, adultos, homens e mulheres. Entre as principais estão artrite reumatoide, artrose, gota, fibromialgia, osteoporose e febre reumática.  Em comum, todas elas têm um único desafio: diagnóstico precoce.

Para os mais de 15 milhões de pacientes reumáticos, segundo dados da Sociedade Brasileira de Reumatologia, o Brasil conta com apenas 2.727 profissionais da área, segundo a Demografia Médica no Brasil, realizada em 2020. Ainda, 864 deles estão em São Paulo e 268 no Rio de Janeiro. Ou seja, as extremidades do país estão desfalcadas em relação aos especialistas. A questão é, segundo o Datasus, de setembro de 2019 agosto de 2020, 100 pessoas por dia foram internadas por conta de doenças reumatológicas

O que muita gente não imagina é a importância de se consultar com o profissional certo. Especialista da família pioneira na luta contra o reumatismo no país e médico na Cobra Reumatologia, Jayme Fogagnolo Cobra explica a importância da especialidade correta:

O diagnóstico precoce é a chave para o sucesso no tratamento. Quanto mais rápido colocamos a doença em remissão (um estágio no qual a doença fica inativa, quase “dormindo”) menores são as chances de aparecimento de sequelas irreversíveis. São essas sequelas que contribuem para o caráter de sofrimento crônico para esses doentes. O tratamento precoce proporciona aos doentes uma qualidade de vida muito próxima ao normal, muitas vezes nem se percebe que a pessoa tem alguma doença.

No caso da reumatologia, identificar os sintomas precocemente é tão importante, que impacta diretamente no prognóstico dessas doenças. As mais conhecidas são: artrite reumatoide, artrite psoriática, espondilite anquilosante, osteoartrite (artrose) osteoporose, lúpus, vasculites, entre outras.

Apesar da reumatologia ter quebrado muitas barreiras, ainda existem mitos que dificultam a conscientização quanto ao diagnóstico precoce, como exemplo, imaginar que essas doenças, estão restritas a idosos, o que não é verdade. A maioria dessas doenças tem início entre a terceira e a quinta décadas de vida. Este é um dos motivos pelos quais muitas pessoas quando apresentam os primeiros sintomas, buscam outras especialidades, geralmente um ortopedista e não imaginam que aqueles sintomas possam ser os primeiros alertas para uma doença reumatológica.

Todo esse contexto mostra a importância da reumatologia e a disseminação do mês marcado para quem sente dor.  Segundo a médica reumatologista Cláudia Goldenstein Schainberg, a principal preocupação é não realizar diagnóstico e tratamento precoces, que podem levar à perda de qualidade de vida e incapacidade física. A especialista explica fatores que podem ajudar a identificar o diagnóstico precoce da doença.

“A maioria das doenças reumáticas tem como manifestações iniciais, a dor persistente e o inchaço nas articulações. Essa dor pode surgir como uma espécie de fisgada ou pontada ao realizar tarefas e movimentos simples, como por exemplo manejar um garfo ou faca para se alimentar ou subir escadas. A melhor forma é reconhecer a presença da dor nas articulações e como ela se comporta ao longo do dia para melhorar”, explica a Dra. Claudia.

Situações como esta, causam dificuldades que podem afetar o dia-a-dia e até mesmo atividades no trabalho dos pacientes. De fato, hoje as doenças reumáticas estão entre as principais causas de afastamento e aposentadoria precoce por doença.

“O ideal é procurar um médico especializado para diagnosticar, tratar e nortear quanto à realização de as atividades adequadas. A melhor forma de se cuidar é, sem dúvidas, seguindo as orientações do seu médico, praticar exercícios físicos, manter uma boa alimentação leve e colorida, somada a um estilo de vida saudável”, conclui a especialista.

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Diferenças entre artrose e artrite reumatoide

A artrite reumatoide é uma doença autoimune, ou seja, caracterizada pelo ataque do próprio corpo às articulações, provocando inchaço, rigidez e dores. O distúrbio costuma atacar especialmente dedos, joelhos e tornozelos.

Já a artrose, também chamada de osteoartrose, é o desgaste da cartilagem que reveste as articulações ou juntas. Não é considerada uma doença e sim um processo natural que faz parte do envelhecimento do organismo.

“Muitas vezes essas duas patologias são confundidas, contudo, a artrite é a inflamação enquanto a artrose é a degeneração das articulações”, explica Rodrigo Vetorazzi, ortopedista do Consulta Aqui (Grupo HAS).

A causa da artrite reumatoide é desconhecida, porém, fatores como infecções, genes, mudanças hormonais e até o tabagismo podem estar relacionados com a doença e seus sintomas mais frequentes são dor e inchaço nas articulações; rigidez matinal; nódulos reumatoides; fadiga, febre e perda de peso.

“Exames de imagem e laboratoriais são empregados para o diagnóstico da artrite reumatoide e o tratamento é feito de acordo com o grau da doença, muitas vezes com anti-inflamatórios, e, por se tratar de uma doença progressiva, deve-se começar imediatamente após o diagnóstico”, diz o ortopedista do Grupo HAS.

Já a artrose é um distúrbio considerado um dos principais da chamada melhor idade, ou 3ª idade, pelo fato de a população mundial estar envelhecendo. De acordo com a ONU, até 2050 a quantidade de idosos duplicará no mundo. No Brasil, a expectativa é que o número de pessoas com mais de 60 anos aumente mais do que a média mundial, passando dos atuais 12,5% para 30% e, entre as consequências, está o aumento de doenças degenerativas, como a artrose.

As causas podem ser variadas e são classificadas como artroses primária e secundária. A primeira ocorre, principalmente, devido ao uso excessivo de uma articulação. O uso repetitivo ao longo dos anos causa danos à cartilagem, que provoca dor e inchaço quando do envelhecimento natural do indivíduo. Já a secundária é uma consequência de doenças ou condições. Obesidade, trauma repetido, cirurgias articulares, anomalias congênitas, gota, artrite reumatoide, diabetes e outros problemas podem ocasioná-la.

São vários os sintomas da artrose. Entre eles estão dor nas articulações, que começa aos poucos e aumenta de intensidade no decorrer dos anos; rigidez e diminuição da mobilidade articular, perda de flexibilidade, rangidos e estalos na articulação e inchaço quando inflamada.

“Pessoas com mais de 60 anos que percebam um ou mais desses sinais devem procurar auxílio médico especializado, no caso o reumatologista e/ou ortopedista, que, após análise clínica, solicitará exames como raio X, ressonância magnética e a análise do líquido sinovial para o correto diagnóstico”, alerta o Dr. Rodrigo.

Com Assessorias

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