5 fatos e mentiras sobre a amizade verdadeira

Ter amigos é fundamental para a saúde mental. Mas como saber se uma amizade é verdadeira? Saiba como manter relação recíproca e de confiança

Quem tem um amigo tem tudo”. A frase que parece clichê comprova uma realidade. Não é o dinheiro, a genética ou a alimentação que fazem uma pessoa ser saudável, mas sim os amigos. É o que diz uma pesquisa realizada pela Universidade de Harvard, nos Estados Unidos. Além disso, uma amizade verdadeira gera impacto na forma de ver o mundo e seu reflexo. Outro fato importante, é que a presença de um amigo melhora em 50% a chance de você viver mais, de acordo com pesquisadores da Brigham Young University, nos EUA, que analisaram 148 estudos feitos durante sete anos e meio.

De acordo com Vanessa Gebrim, especialista em Psicologia Clínica pela PUC-SP, a amizade verdadeira é fundamental em todas as fases da vida. “Significa criar laços entre as pessoas que apresentam sentimentos de lealdade, proteção, intimidade, reciprocidade, ajuda mútua, compreensão e confiança. As relações com os amigos na adolescência, por exemplo, constituem um dos principais fatores para a construção da identidade dos adolescentes e na definição de valores, ideias e opiniões que eles seguem sobre os outros e o mundo. Assim, os amigos desempenham um papel complementar ao da família e são fundamentais nessa fase”, acrescenta a especialista.

Mas como identificar se, de fato, você está diante de uma amizade verdadeira? Como reconhecer – e valorizar – um/a amigo/a de verdade? Vanessa Gebrim preparou 5 verdades e mentiras sobre a verdadeira amizade. Confira!

Mitos e verdades sobre a verdadeira amizade

1 – A amizade é fundamental para o bem-estar social.

VERDADE. De acordo com a psicóloga, a amizade é muito importante na vida de uma pessoa. “Trata-se de partilhar alegrias e tristezas, sucessos e fracassos, expectativas e desilusões. Em uma amizade nós nos encontramos, nos tornamos mais solidários e mais responsáveis. Uma amizade nos torna pessoas melhores pelo simples fato de nos fazer mais conscientes com o outro e também contribui para o processo do amadurecimento humano”, revela a especialista.

2 – A escolha de uma amizade está ligada apenas à afinidade.

MENTIRA. Amizade além de uma relação de afinidade pode também significar reciprocidade, ajuda mútua, respeito e confiança criadas entre duas ou mais pessoas. “Segundo Winnicott, a amizade remete às noções de intimidade, reconhecimento das diferenças e o grau de confiança que é estabelecido entre as pessoas. Existem alguns níveis de amizade como: nível 01: conhecidos (sem afinidade e nem conexão); nível 02: colegas (poucas afinidades e fraca conexão); nível 03: colegas mais chegados (há algumas afinidades e conexões em comum) e nível 04: amigos (temos muita afinidade, cumplicidade, parceria e total conexão)”, explica.

– Crianças devem ter amigos. 

VERDADE. “Amigos são parte fundamental das nossas vidas. A amizade pode começar na infância e perdurar no decorrer da vida e é super importante para o bom desenvolvimento do ser humano. Essa troca faz com que a criança se identifique com o outro e se reconheça através dessa interação. Além disso, abre espaço para que no futuro ela se torne um adulto que possua habilidades interpessoais essenciais para a vida como a empatia, por exemplo”, esclarece Vanessa.

4 – Amizade não deve ter limite. 

MENTIRA. “É muito importante aprender a colocar os limites nos vínculos de amizade para evitar conflitos e garantir as individualidades. Quando se pensa em limites, a questão passa pelo respeito ao espaço, a opinião e as ideias do outro. Não é bom criar expectativas sobre um amigo e esperar dele as suas próprias atitudes. O limite está sempre pautado no respeito, pois é preciso entender até que ponto se pode falar, solicitar ou interferir. Saber ouvir acaba sendo a melhor forma de ajudar o amigo nos momentos difíceis, pois favorece muito no crescimento da amizade“, indica Vanessa Gebrim.

5 – Não existem amizades tóxicas. 

MENTIRA. De acordo com a psicóloga Vanessa Gebrim, existem alguns sinais que ajudam a identificar se você está em uma relação tóxica. “É preciso ficar atento a alguns pontos: quando a pessoa não faz você se sentir bem, não comemora suas conquistas, fala de você pelas costas ao invés de falar com você sobre o que a incomodou na relação, fala só dela no relacionamento, se comportando de maneira egoísta, gosta de competir, entre outros sinais”, lista a especialista.

Ainda de acordo com ela, se for uma amizade de muito tempo e você perceber que ela está se tornando tóxica, vale a pena conversar, caso você queira manter o vínculo. “Seja assertivo durante a conversa e expresse os seus sentimentos acerca do comportamento da pessoa. Agora, se isso não resolver, se afastar de quem está te fazendo mal também é uma opção”, recomenda. “Pense bem sobre os benefícios que essa amizade traz a você e como o amigo tóxico se comporta quando você fala sobre os seus sentimentos. Se ele não demonstrar interesse ou se desculpar sem sinceridade, não está tão interessado em manter uma amizade saudável com você”.

Por fim, ela acrescenta: “Caso seja necessário, faça terapia para poder enfrentar essa dificuldade. Um profissional especializado poderá te ajudar a desenvolver algumas habilidades que são necessárias em suas amizades, para que elas se tornem mais saudáveis para você”, conclui a psicóloga Vanessa Gebrim.

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