Leite materno sobrando? Não desperdice, doe!

Especialistas explicam sobre a importância da doação de excedente do leite materno no Agosto Dourado. Entenda todos os cuidados

Banco de leite do Hospital da Mulher teve queda de 10% nos quatro primeiros meses do ano (Foto Divulgação)

O Brasil é referência mundial em doação de leite materno. De acordo com a Opas (Organização Pan-Americana da Saúde), as mamães brasileiras foram responsáveis por 90% da coleta dos mais de 1 milhão de litros de leite doados em todo o mundo nos últimos anos. Não à toa o país possui a maior e mais complexa rede de doação de leite materno do planeta. São 225 Bancos de Leite Humano e 212 postos de coleta, além da coleta domiciliar em vários estados, com 160 mil litros distribuídos anualmente a recém-nascidos de baixo peso.

Mães que amamentam e têm excedente de leite podem doar para os Bancos de Leite Humano. A doação pode salvar vidas e auxiliar na recuperação de recém-nascidos que precisam ficar na UTI. Para doar o leite excedente não é preciso sequer sair de casa. Equipes e bancos de leite em diversas cidades brasileiras realizam visitas semanais a mães em fase de amamentação.

Nas visitas, fazem orientações, entregam os frascos esterilizados e na semana seguinte coletam o leite armazenado. Os frascos coletados são testados e os que são considerados impróprios (cheiro de cigarro, azedo, com cabelo, etc.) são descartados.

Este é o caso do Banco de Leite do Hospital Universitário Evangélico Mackenzie (HUEM), onde foram coletados mais de 1.000 litros entre janeiro e junho de 2020. No Distrito Federal, a Secretaria de Estado de Saúde tem uma parceria com o Corpo de Bombeiros para recolher o leite nas casas das doadoras.

Como ser uma doadora

Toda mulher que amamenta é uma possível doadora de leite materno. Para doar, basta ser saudável, sem sintomas de infecções, e não tomar medicamento que interfira na amamentação. O leite extraído deve ser armazenado em potes de vidro com tampa plástica e pode ficar no freezer ou no congelador por até 10 dias.

Não há uma quantidade mínima para ser doada e a mulher pode realizar o procedimento quantas vezes quiser em sua fase de amamentação. É importante saber que a cada litro, até 10 bebês internados são beneficiados. As doações podem ser feitas nos BLH ou nos postos de coleta da sua cidade. Alguns BLH oferecem o serviço de visita domiciliar, que buscam a doação na casa da doadora.

Os bancos de leite, além de ceder os recipientes para a doação, instruem sobre o manejo correto e sobre cuidados que as lactantes devem ter ao coletar o leite, e procedimentos pré e pós-coleta. Quem não é lactante e quiser integrar dessa corrente do bem, pode participar entregando nos BLH os recipientes para armazenamento do leite materno: frascos de vidro com tampa plástica.

Como e quando fazer a doação

Os benefícios do leite humano e a importância da doação do excedente são, de fato, indiscutíveis. Mas como e quando doar leite materno? Ele pode ser congelado? Como deve ser coletado? E a mãe que trabalha, como pode cuidar da amamentação do filho? Para esclarecer essas e outras dúvidas, a Dra Milen listou alguns cuidados.

Segundo a pediatra toda mulher que esteja amamentando é uma potencial doadora de leite materno, independentemente da idade do filho em amamentação, desde que esteja em boas condições de saúde, com excesso de leite e que se disponha a doar voluntariamente. A coleta de leite humano pode ser feita em casa e doada às unidades de Banco de Leite. A mãe doadora deve efetuar a coleta da seguinte maneira :

Primeiro coloque os dedos polegar e indicador na borda da aréola (parte escura da mama);

– Firme os dedos e empurre para trás em direção ao corpo;

– Comprima suavemente um dedo contra o outro, repetindo esse movimento várias vezes até o leite começar a sair;

– Despreze as primeiras gotas e inicie a coleta no frasco e ao terminar, fechar bem o vidro, colocar a data da primeira coleta e guardar imediatamente no congelador da geladeira ou no freezer por até 10 dias.

Como oferecer leite humano em casa?

1. Guardar o leite retirado do peito na primeira prateleira da geladeira, somente se for utilizar nas 12 horas seguintes à coleta.
2. Estocar em congelador ou freezer por, no máximo, 15 dias.
3. Lavar as mãos e braços com água e sabão.
4. Colocar água potável em uma panela em quantidade suficiente para ultrapassar o nível do leite no frasco.
5. Aquecer até a temperatura tolerável, sem queimar os dedos.
6. Desligar o fogo. Colocar o frasco com o leite na água aquecida. Agitar o frasco para facilitar o aquecimento.
7. Caso o leite esteja congelado, repetir o processo até que não reste nenhuma pedra de gelo.
8. O leite que restar no frasco pode ser guardado na 1ª prateleira da geladeira por, no máximo, 12 horas.
9. Dar o leite sempre em colher ou copinho, devidamente limpos e fervidos.

E as mamães que precisam se ausentar?

Toda mãe que precise se ausentar de casa por motivo de trabalho, estudo etc. ou que tenha seu filho internado (prematuro ou doente), deve aprender a coletar, conservar e armazenar o leite para o próprio filho. “Retirando leite, a mãe mantém a produção e seu filho é alimentado adequadamente quando ela precisar se ausentar”, diz a médica.

Ela continua: “bebês alimentados somente com leite humano, nos primeiros seis meses de vida, e que continuam mamando até os dois anos ou mais, são mais fortes, saudáveis e inteligentes”.

• Nunca re-congele o leite humano.
• Nunca deixe seu filho mamar no peito de outra mulher e não ofereça leite que não seja seu ou do banco de leite.
• Não utilize chucas, mamadeiras ou chupetas, porque elas atrapalham a amamentação, podendo o bebê até deixar de mamar.

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Doações se mantêm estáveis no Rio de Janeiro

O Brasil é o país com a rede mais extensa de BLH do mundo, possuindo mais de 200 unidades, sendo 17 bancos de leite e oito postos de coleta no Estado do Rio de Janeiro. Os BHL são unidades de apoio e acolhimento para muitas mães. Eles incentivam o aleitamento materno, dão suporte às mulheres com dificuldades na amamentação, cumprem a notável missão de atender bebês prematuros internados em UTIs Neonatal, além de contar com uma equipe de profissionais que dão o suporte necessário a mães e bebês atendidos na rede. 
No Rio de Janeiro, apesar das medidas de isolamento decorrentes da pandemia de coronavírus, as doações dos Bancos de Leite Humano (BHL) da Secretaria de Estado de Saúde (SES) se mantiveram na média de anos anteriores. De janeiro a julho, as 408 doadoras do Hospital Estadual da Mulher (HMulher) e as 221 do Hospital Estadual Adão Pereira Nunes (HEAPN) doaram 458,6 litros de leite, que foram distribuídos para 518 bebês.

A marca foi alcançada por causa da estrutura de visita domiciliar ofertada pelas duas unidades, que busca o leite a ser doado na residência das lactantes cadastradas. Ao todo, em 2020, foram 10.952 atendimentos individuais realizados pelos BLH do HMulher e do HEAPN, sendo 865 visitas domiciliares. Comparando 2019 e 2020, a rede de BLH de todo o estado teve um aumento de cerca de 20% das doações.

Na pandemia de coronavírus, os bancos de leite humano (BLH) de todo o país tiveram um novo desafio com a necessidade de revisão dos protocolos de biossegurança. Mulheres apresentando sintomas gripais ou que tiveram contato com pessoas suspeitas de Covid-19 estiveram impedidas de realizar doações por quinze dias. Além desse reforço de cuidado, cada leite recebido pelos BLH passa ainda pelos processos de higienização e verificação da integridade da embalagem, análise sensorial, controle físico-químico, pasteurização, além de controle de qualidade microbiológica.

Além da coleta externa, os BLH tanto do HEAPN quanto do HMulher, contam ainda com equipes multidisciplinares especializadas em amamentação nos próprios hospitais, que instruem as novas mães sobre como amamentar e auxiliam eventuais dificuldades. As orientações podem ser passadas individualmente ou em grupo, com a organização de palestras.

Agosto Dourado

Criadas para reforçar a importância do aleitamento materno e da doação de leite para filhos de mães que não podem amamentar, a campanha Agosto Dourado e a Semana Mundial da Amamentação, comemorada entre 1 e 7 de agosto.  Em todo o mundo, o mês é conhecido como Agosto Dourado, por ser dedicado à conscientização e incentivo ao aleitamento materno e à doação.

A cor dourada está relacionada ao padrão ouro de qualidade do leite materno. Porque é um alimento natural, completo, de baixo custo, previne o bebê contra doenças, reduz o risco de alergias e não polui o planeta”, explica a supervisora de enfermagem do Banco de Leite da UTI Neonatal do HUEM, Ana Lúcia dos Anjos Lima. “Para quem está amamentando pratique um gesto de amor e solidariedade, doe leite, você pode fazer toda a diferença na vida de pequenos que se encontram internados em leitos de UTI”, finaliza.

Durante todo o mês, entidades de todo o mundo se juntam em prol do Agosto Dourado, campanha que luta pela intensificação das ações de promoção, proteção, apoio ao aleitamento materno e incentivo a doação. Em meio à campanha, há também a Semana Mundial de Aleitamento Materno (SMAM), que promove o aleitamento em 120 países.

Serviço

  • Banco de Leite do HUEM – As interessadas em colaborar devem ligar para o telefone (41) 3240-5117 para fazer o cadastro e agendar a coleta do leite.

Banco de Leite do DF – A mãe doadora pode fazer o cadastro no Disque Saúde 160, opção 4 (basta solicitar e agendar a coleta) pelo site Amamenta Brasília ou pelo aplicativo disponível em IOS e Play Store.

Para mais informações sobre a rede de bancos de leite humano, acesse este link  ou ligue para o Disque 136.

  • Com Assessorias
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