Felipe Neto e a Síndrome de Burnout associada à depressão

Psicanalista Andrea Ladislau esclarece sobre a síndrome do esgotamento profissional, seus sintomas e formas de prevenção

Felipe Neto se sentiu mal durante uma live. O influencer digital teve uma síncope enquanto apresentava algumas atrações (Reprodução de internet)

Por Andrea Ladislau*

Felipe Neto se sentiu mal, na última semana, durante uma live. O influencer digital teve uma síncope (desmaio ou queda da própria altura) enquanto apresentava algumas atrações. Ele já verbalizou, diversas vezes, que sofre com depressão. Portanto, os sintomas sofridos por ele, são bem característicos do próprio transtorno depressivo, bem como da Síndrome de Burnout, que é uma evidência de exaustão profissional e mental.

Esse episódio vivenciado por Felipe levanta reflexões sobre nossos limites e nossos excessos diários. Encontrar alternativas e meios para superar as cobranças de um mundo acelerado, que cobra produção e assertividade, sem dúvida, é um dos maiores desafios da atualidade, na vida pessoal ou profissional de uma grande massa da população ativa laboral que tenta manter o equilíbrio físico e mental, driblando o aumento dos casos de depressão e transtornos geradores de afastamentos do trabalho e da busca por uma vida mais saudável.

O acúmulo de responsabilidades, a competitividade, o excesso de pressões e cobranças comuns no mercado de trabalho e os novos comportamentos desenvolvidos no mundo moderno têm aumentado os casos de depressão e a Síndrome de Burnout.

Essa doença é considerada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como resultante de estresse crônico e esgotamento mental e físico que não foram bem administrados. Tanto que a OMS aponta que o transtorno depressivo e o Burnout serão os maiores motivos de afastamento do trabalho no mundo e esse cenário gera um impacto na economia mundial de cerca de US$ 1 trilhão por ano.

Não podemos negar os impactos na saúde que os profissionais sofrem para dar conta de suas múltiplas tarefas nos tempos atuais, sejam eles famosos ou não. No entanto, a linha tênue da inteligência emocional está em entender que comprometer-se e se engajar corporativamente é muito diferente de se encharcar de afazeres, se matar de trabalhar e no fim, perder a saúde e o equilíbrio, gerando e desenvolvendo transtornos e neuroses psicológicas severas.

Dados estatísticos mostram que somos o país mais ansioso do mundo e o mais depressivo da América Latina. Além da depressão e da ansiedade, somam-se outros transtornos entre a população ativa laboral, como a Síndrome de Burnout, o transtorno de personalidade e o déficit de atenção.

No caso do possível Burnout sofrido por Felipe Neto, esse distúrbio emocional potencializa sintomas de exaustão extrema, estresse e esgotamento físico resultante de situações de trabalho desgastante. É o esgotamento físico e mental, provocado por condições de trabalho aceleradas.

A principal causa da doença é o trabalho em excesso e está mais ligada a profissões que estão sob constante pressão e muitas responsabilidades. Além disso, possui sintomas físicos e psicológicos. O nervosismo constante, a falta de vontade de levantar ou fazer atividades cotidianas podem ser sinais do início da doença.

Seus principais sintomas são cansaço excessivo, físico e mental; dor de cabeça frequente; alterações no apetite; Insônia; síncopes e quedas da própria altura; desânimos; dificuldades de concentração, sentimentos de fracasso e insegurança; negatividade constante; sentimentos de derrota, desesperança e incompetência; alterações repentinas de humor; isolamento; fadiga, pressão alta, dores musculares, problemas gastrointestinais; alteração nos batimentos cardíacos, entre outros.

É hora de valorizar mais a inteligência emocional

Como aumentar o bem-estar e a qualidade de vida dos colaboradores, empreendedores e, consequentemente, a produtividade das empresas? Essa realidade tem sido um dos desafios atuais da sociedade. É urgente voltar o olhar para a definição do propósito de vida, da saúde mental, do bem-estar pessoal em detrimento das inúmeros pressões sofridas pela velocidade do mundo e frente ás inovações tecnológicas e novas adaptações sociais.

É preciso desmistificar a saúde mental e valorizar a inteligência emocional. Trabalhar a qualidade de vida e a saúde individualizada para um alto rendimento profissional é importante em qualquer ocupação. As doenças mentais e psicológicas devem ser acolhidas e tratadas em busca de uma melhor performance mental e cerebral. Até porque, podemos ser muito mais eficientes se começarmos a entender e saber lidar com nossas emoções, elevando a autoconsciência, gerenciando humor, manejando os relacionamentos e promovendo a automotivação e a empatia.

O mais importante é, através da inteligência emocional, desenvolver a descoberta do seu próprio limite em um mundo sem limites, onde somos testados a cada segundo, a controlar e manter uma saúde mental equilibrada, através da condução de uma rotina menos estressante.

Previna-se com mudança de hábitos

Assim como Felipe Neto já identificou que a depressão e alguns sintomas geram essa desestabilização emocional em sua vida, previna-se e mude seus hábitos.  Reflita sobre o porquê desse excesso. Afinal, se todo excesso esconde uma falta, será que mergulhar de cabeça no trabalho, extrapolando seus limites do corpo e da mente, pode não ser uma fuga? Uma forma de fugir da sua própria realidade?

Não se engane, lembre-se que: as emoções impactam diretamente na performance e na produtividade do ser humano. O estresse, a depressão e a desmotivação impedem o indivíduo de ser produtivo e criativo, limitando sua atuação e
comprometendo seus relacionamentos.

Saber gerenciar esses sentimentos e emoções irá potencializar força e habilidade para a realização dos desejos e das tomadas de decisões mais assertivas. Já que, a canalização emocional com sabedoria, propiciará uma análise consciente dos aspectos desafiantes aos quais somos confrontados diariamente.

6 dicas para encontrar o equilíbrio no dia a dia

Várias são as formas de se prevenir esses sintomas depressivos ou de Burnout. O mais importante é refletir sobre como está sua vida. Está acelerada demais? Tem tido tempo para cuidar de você, cuidar de sua saúde física e mental? Tem feito pequenas pausas para relaxar e equilibrar a pressão cotidiana?

Independentemente de suas respostas, existem formas de prevenção para que se encontre um equilíbrio de suas atividades, bem como uma adequação de seu momento de forma a privilegiar sua saúde como um todo. São elas:

  1. Tente encontrar maneiras para reduzir o estresse e a pressão na rotina profissional;
  2. Pratique atividades físicas, de lazer e fazer programas que não sejam da sua rotina;
  3. Converse com pessoas de confiança sobre seus sentimentos e se afaste daquelas que reclamam de tudo, principalmente no trabalho;
  4. Organize seu tempo para descansar e tente dormir pelo menos oito horas por noite;
  5. Evite o uso de álcool e outras drogas e nunca se automedique;
  6. Aprenda a desacelerar para que não cometa o grave erro de carregar o mundo nas costas.

*Andrea Ladislau é pós-graduada em Administração Hospitalar e Psicanálise e doutora em Psicanálise Contemporânea. Possui especialização em Psicopedagogia e Inclusão Digital. É também graduada em Letras e Administração de Empresas, palestrante, membro da Academia Fluminense de Letras e escreve para diversos veículos. Na pandemia, criou no Whatsapp o grupo Reflexões Positivas, para apoio emocional de pessoas do Brasil inteiro.

Contatos: Instagram: @dra.andrealadislau / Telefone: (21) 96804-9353 (Whatsapp)

Andrea Ladislau colabora para a seção Palavra de Especialista uma vez por mês. Dúvidas e sugestões para [email protected]

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