Finados e luto: como lidar com perdas irreparáveis?

Psicóloga Miriam Pontes de Farias explica como enfrentar o luto, especialmente em tempos de mais de 600 mil vidas perdidas para a Covid-19

Por Miriam Pontes de Farias*

Com a pandemia do coronavírus, que ceifou mais de 600 mil vidas no Brasil, estamos passando por um momento de muitas perdas. Além da perda da liberdade, imposta pelo isolamento social, muitas pessoas perderam entes queridos, familiares, amigos ou colegas de trabalho.  Existem algumas datas que são mais difíceis pra quem perdeu alguém importante, como o Dia de Finados, para quem teve perda, passar por este dia pode causar muito sofrimento, a pessoa pode lembrar com muita dor daquele que um dia fez parte de sua vida.

Viver o período de luto é natural, o luto é um processo singular, cada um vai vivenciar de forma única, nesse momento a pessoa passa por estados bem difíceis, podendo chorar, ficar triste, desanimada e lembrar com frequência da pessoa querida. É importante passar pelo luto para elaborar a perda, faz parte do processo de perda viver o período de luto, o tempo de luto vai variar de pessoa para pessoa, mas estima-se que deverá durar em média um ano.

Algumas pessoas podem passar do luto normal para o luto patológico, nesse caso, além de não conseguir elaborar a perda, com o tempo o sofrimento fica mais intenso e prolongado, a pessoa sente uma saudade profunda, há um apego doentio ao falecido e é um sofrimento tão grande que pode comprometer a sua saúde mental, o seu trabalho e as suas relações interpessoais, enfim, compromete a sua vida. Nesse grau de patologia a pessoa já não consegue mais trabalhar, sair de casa e se relacionar, há um isolamento muito grande e muitas vezes, angústia de morte e ideação suicida.

Depois de um ano do falecimento do ente querido, espera-se que o sofrimento diminua, mas quando a pessoa está vivendo o luto patológico todo sofrimento fica muito intenso, há um apego tão grande com o falecido que a pessoa não consegue mais viver a sua própria vida. O luto patológico pode acontecer mais com mães que perderam seus filhos, pois é antinatural o filho partir antes da mãe, principalmente, em casos de morte violenta, como nos suicídios e homicídios.

Não devemos pular o luto, esse período da nossa vida, é uma etapa como outra que devemos viver e elaborar. Mas, quando o luto se torna muito intenso e por muito tempo, é importante buscar uma ajuda profissional, um psicólogo com um bom manejo terapêutico, saberá fazer um bom acolhimento para um paciente enlutado. O suporte psicológico pode ajudar bastante a compreender e aceitar a perda irreparável, através desse apoio a pessoa aprende a superar melhor a perda.

O mais importante nesse momento de luto é desenvolver a aceitação. Não vamos esquecer da nossa perda, mas podemos lidar melhor com ela, com aprendizado e sabedoria.

*Miriam Pontes de Farias é psicóloga (CRP 05/25815), pós-graduada em Hipnose Clínica, professora, conferencista internacional, palestrante, coordenadora e supervisora de grupos há mais de 20 anos. Foi vice-presidente da Sociedade Brasileira de Hipnose (SBH) e ministra cursos de Hipnose Clínica, Regressão de Memória e Auto-hipnose.

Contatos: miriam.psi.hipnose@gmail.com / facebook.com/AHipnose’ / Instagram: @miriam.psi.hipnose /www.miriamhipnose.com.br Tel.: (21) 99221-8462 (WhatsApp)

Miriam escreve para a seção ‘Palavra de Especialista’ uma vez por mês. Contatos: palavradeespecialista@vidaeacao.com.br.

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